Six Feet Under S02E05
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"Estamos aqui pelo luto da morte de Emily Previn. Não conheci Emily. Pelo o que sei, poucos conheceram. Pode-se pensar qual é o sentido de se levar uma vida que não toca outras vidas. Mas, seria arrogância da nossa parte supor isso. Toda vida é uma contribuição. Apenas não vemos como. Fico feliz de encontrar Emily Previn, mesmo que seja na morte. Todos entram na nossa vida por um motivo, e é nossa responsabilidade aprender o que nos têm a ensinar" - Padre Jack
Mais um sucesso da Applet TV+, a série "Dickinson" abusa da criatividade visual e narrativa para contar a história de uma jovem mulher do século 19 que ousou questionar as regras da sociedade. Esta figura pouco conhecida é a poetisa Emily Dickinson, que publicou apenas seis textos durante sua carreira artística, recusando-se a compartilhar os mais de 1,7 mil poemas encontrados após sua morte.
"Dickinson" reproduz toda pompa do passado, o que era esperado, mas surpreende ao flertar com o presente através da inserção de músicas pop atuais, participação do rapper Wiz Khalifa como a própria Morte, transcrição dos versos da poetisa aparecendo na tela, danças provocativas em reuniões festivas e alguns sinais de rebeldia por parte dos personagens. É uma linguagem hipster voltada aos jovens da geração que cultua os filtros do Instagram.
"Minha vida toda parece um pesadelo. É como se fosse a vida de outra pessoa. Se a minha vida fosse um filme, eu pegaria no sono ou sairia no meio" - Benda
Com uma mulher negra carregando uma criança branca, a capa de "O sol mais brilhante" induz que o romance deve ter seu foco nas diferenças raciais. Esse tema, evidentemente, faz-se presente, mas a obra de Adrienne Benson se apresenta como um relato sensível sobre questões universais que envolvem maternidade, a busca pela identidade, família, o encontro de seu lugar no mundo e até mesmo o sentido da vida.
O livro acompanha três mulheres protagonistas cujas trajetórias se cruzam no continente africano: Leona é uma antropóloga grávida; Sumi é uma massai estéril; e Jane é esposa de um embaixador norte-americano. Cada uma delas enfrentará caminhos que combinam coragem, amaduramento e, principalmente, recomeços.
A narrativa de Benson oferece destaque e abraça a cultura massai, tribo africana com costumes peculiares, tratada com respeito e sintonia aos acontecimentos da trama. O amor pelo Quênia, onde a escritora morou em seus primeiros anos de vida, transborda das páginas e faz sua paisagem alaranjada refletir na mente do leitor. Também há uma abordagem interessante sobre as Thrid Culture Kids (TCKs), representadas pela personagem de Adia, filha de Leona.
MUITO BOM
"Servant" é uma série de suspense para ser saboreada aos poucos. São episódios de meia hora cada, formando pequenas e sinistras doses capazes de intrigar o espectador. O nome famoso por trás do projeto é M. Night Shyamalan ("O sexto sentido", "A vila"), que assina a produção executiva e dirige o primeiro e o nono capítulo. Aliás, os dois melhores nos quesitos direção e desenvolvimento de narrativa.
A trama envolve um casal suburbano da Filadélfia, Dorothy (Lauren Ambrose) e Sean (Toby Kebbell). Ela é uma repórter televisiva e ele um chef de cozinha. A relação é abalada quando morre o filho recém-nascido do casal. Dorothy não se recupera da terrível perda e, sob aconselhamento de uma terapeuta, Sean arranja um boneco realista para tentar reduzir os danos da tragédia. O "novo bebê" torna-se tão verdadeiro para a jovem mãe, que ela decide contratar uma babá para cuidar do brinquedo. A fim de evitar spoilers, digo apenas que nada é o que parece.
Uma das decisões curiosas da série é transcorrer (quase) inteiramente dentro da residência do casal. As cenas que ocorrem fora daquele ambiente costumam ser visualizadas através de telas, seja da televisão, do computador ou do celular. Outro elemento da composição visual são os pratos culinários elaborados por Sean, que revelam a violência por trás da bela apresentação final. A gastronomia nunca foi tão assustadora.
Com inspiração em "O bebê de Rosemary", o projeto da Apple TV+ realiza a proeza de utilizar um fiapo de história e torná-la atrativa ao longo de 10 episódios. Poderia ser um filme, mas o formato seriado prolonga o prazer em acompanhar essa história de mistério. "Servant" oferece ainda boas atuações, com destaque para a novata Nell Tiger Free. A segunda temporada, inclusive, está garantida.
MUITO BOM
A primeira temporada de "After Life", comédia dramática com Rick Gervais, é pequena joia, repleta de deliciosas reflexões. Uma vez que o protagonista enfrenta o luto de perder sua esposa (e grande amor), ele se questiona sobre o sentida da vida - e de seguir em frente. Deixo aqui algumas frases:
Felicidade é algo fantástico. É tão fantástica que não importa se é sua ou não.
Uma sociedade cresce bem quando homens velhos plantam árvores que vão criar uma sombra embaixo da qual eles nunca sentarão
O que você perdeu é justamente o que pode curar a sua dor
- Não creio em Deus e essas coisas
- Nem eu. É um monte de besteira. Tudo que temos é um ao outro. Temos que nos ajudar a passar pelas dificuldades até morrermos, até tudo acabar. Não tem porque sentirmos pena de nós mesmos e fazermos os outros infelizes.
Noite de festa em uma mansão no campo. A família Hardcastle organiza um baile de máscaras para homenagear o retorno da filha mais nova. Quando o relógio marca meia-noite, a protagonista do evento é assassinada. Agora, dia após dia, um homem acorda no corpo de um dos convidado da festa, revivendo os mesmos acontecimentos para tentar descobrir o culpado do crime. Com esta brilhante sinopse, "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" tinha tudo para ser um romance surpreendente que reúne os mistérios de Agatha Christie com viagem no tempo.
Comecei a leitura empolgado e logo devorei as 150 primeiras páginas. Porém, após o terceiro hospedeiro, a história torna-se repetitiva. As linhas narrativas se confundem até cansar a paciência do leitor. No comando, Stuart Turton tenta manter o envolvimento e o clima de suspense, mas sua proposta interessante perde a força ao se alongar por quase 500 páginas.
"Sabe o que eu acho interessante? Se perder um cônjuge, você é chamado de viúvo ou viúva. Se for criança e perder os pais, você é um órfão. Mas, que palavra descreve o pai ou a mãe que perde um filho? Acho que é terrível demais até para se dar um nome" - Brenda
Six Feet Under S01E09
- Ninguém gosta do próprio trabalho.
- Então, por que o fazemos?
- Por que buscamos qualidade. Talvez um pouco de insegurança. Entramos nas coisas quando somos jovens, achando que elas significam algo...
- Aí descobrimos que não significam.
- Susan, desfrute do absurdo do nosso mundo. É bem menos doloroso.
Diálogo do filme "Animais noturnos" (2016), de Tom Ford
Mais que o mistério sobre um assassinato, "Defending Jacob" é uma minissérie da Apple TV+ sobre o que a suspeita de um crime pode provocar. A trama acompanha a destruição de uma família suburbana após o filho de 14 anos ser acusado de matar o colega de sala de aula. As pistas apontam Jacob como o provável culpado e, tanto a mídia quanto a opinião pública, não hesitam em condenar o garoto.
No meio do caos, os pais interpretados por Chris Evans e Michelle Dockery tentam segurar as pontas, o que não será fácil. A mãe fica completamente abalada, inclusive com dúvidas quanto a inocência do próprio filho, enquanto o pai tenta manter a ilusão de que sempre foram um família perfeita. Reviravoltas estão previstas no caminho, deixando a história ainda mais tensa e viciante.
"Defending Jacob" ou "Em defesa de Jacob" oferece uma excepcional construção de narrativa. O último episódio, no entanto, sofre de uma considerável derrapada, com três possíveis conclusões. A escolhida assemelha-se a um thriller literário genérico, diferente da seriedade que a série apresenta em seu desenrolar. Ainda assim, é uma das melhores atrações do ano, com destaque para a impecável atuação de Dockery (promete indicações) e temas urgentes em discussão.
MUITO BOM
Em plena pandemia do novo coronavírus, a TAG Inéditos enviou “Os Sonhadores”, uma obra cuja narrativa é extremamente semelhante ao que estamos vivendo. Talvez, por este motivo, o enfrentamento a uma doença contagiosa não soa como novidade. Os eventos que deveriam ser surpreendentes (ou chocantes) na história tornam-se esperados, uma vez que parte deles se encontram em curso no mundo.
REGULAR
"Nós éramos crianças quando nos conhecemos. E vimos aquelas crianças desaparecerem" - Ruth para Nathaniel
Six Feet Under S01E09
"Durante toda a nossa vida
enfrentamos decisões penosas
escolhas morais
Algumas delas têm grande peso
a maioria não tem tanto valor assim
Mas definimos a nós mesmos
pelas escolhas que fizemos
Na verdade, somos feitos da
soma total das nossas escolhas
Tudo se dá de maneira
tão imprevisível
tão injusta
que a felicidade humana
não parece ter sido incluída
no projeto de Criação
Somos nós,
com nossa capacidade de amar
que atribuímos um sentido
a um Universo indiferente
Assim mesmo, a maioria dos seres humanos
parece ter a habilidade
de continuar lutando
e até de encontrar prazer
nas coisas simples
como sua família,
seu trabalho,
e na esperança que
as futuras gerações
alcancem uma
compreensão maior"
Trecho do filme "Crimes e pecados" (1989), de Woody Allen
Brenda e Nate conversam em frente à igreja:
- Você não acredita em Deus, né?
- Acho que tudo é totalmente aleatório. A gente vive, morre e, por fim, nada significa coisa nenhuma.
- Como consegue viver assim?
- Não sei. As vezes, acordo tão vazia que desejo nunca ter nascido. Mas, que escolha eu tenho?
Six Feet Under S01E05
"Nos apaixonamos mais pelo desejo do que pelo objeto desejado"
"Assumir a responsabilidade dos outros... esse é o caminho para o aprisionamento"
"A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida"
Vendido como "filosofia no divã", misturada com episódios reais e linguagem acessível, o bestseller "Quando Nietzsche chorou" não corresponde a nenhuma dessas expectativas. A narrativa é enfadonha, o vocabulário limitado e a romantização dos fatos, por vezes, vergonhosa. A maior parte da história diz respeito a obsessão do médico Breuner por sua paciente Bertha, que sofre de esquizofrenia. Problemático é o mínimo.
A experiência com o livro, no geral, apresentou-se cansativa. Inclusive, pensei em desistir da obra. Larguei de mão por mais de dois meses e, como faltavam 120 páginas, decidi encarar e concluir. Surpreendentemente, a reta final é o seu ponto alto. Cheguei a fazer várias marcações de trechos interessantes sobre o sentido da vida, valendo-se de questionamentos propostos por Nietzsche. Eis que eles finalmente aparecem na leitura!
Porém, o autor Irvin D. Yalom utiliza de um artifício barato para encerrar a trama de Breuner. Um clichê tão ridículo que deixa o gosto amargo da artificialidade. Pois então, era esse o sabor desde o início, não é mesmo? Em resumo, o intuito de saber mais sobre o filósofo que dá nome à obra, aqui, tornou-se em vão.
REGULAR
David e Keith são chamados de "bichas" no estacionamento do supermercado. Após Keith dar uma dura no preconceituoso, David diz:
- Acho que ele não falou por mal.
- Você se odeia tanto assim? - responde Keith
Six Feet Under S01E04
"Grandes esperanças" é um dos filmes da minha vida. Sei que não é
perfeito, mas cada vez que assisto tenho o mesmo impacto com a cena da fonte, o
casarão em ruínas, as danças, as perucas e e a piteira de Mrs. Dinsmoor, os
tons de verde explodindo pela tela, as belas artes de Francisco Clemente, a
potente trilha sonora e o romance entre Finn e Estella ao longo de décadas.Este foi o meu primeiro contato
com a obra de Charles Dickens, por isso não me importei com a modernização do
clássico.
Recentemente (e muito pelo filme), li o "Grandes Esperanças" original e percebi as inúmeras mudanças. Digo que o filme de Alfonso Cuarón é uma brincadeira estilosa sobre uma obra literária bem mais complexa. Poderia ter outro título, talvez "Paradiso Perduto", como foi chamado em Portugal, e citar nos créditos iniciais sua inspiração em "Grandes Esperanças". Assim, iria diminuir a pressão de tantas comparações e satisfazer mais o público? Não iremos saber...
De qualquer forma, a produção cinematográfica realizou um ótimo trabalho em reunir elementos essenciais da trama de 1861, tendo seu foco nos capítulos em que o romance se faz presente no livro. O trio formado por Finn/Pip (e sua obsessão por merecer o amor da mulher que está apaixonado), Estella (e a frieza com que foi criada) e Mrs. Dinsmoor/Havisham (e seu plano maquiavélico de obter vingança por seu passado) conduzem a narrativa. É um tanto apressado, porém transmite de modo eficaz a mensagem sobre culpa, desejo e redenção.
"Grandes Esperanças" segue, para mim, um puro deleite cinematográfico. É uma adaptação extremamente imagética, ou seja, feita por uma sucessão de visuais impactantes. E eis que a minha favorita cena não comentei no início: é quando Finn deixa sua vernissage, corre pelas ruas movimentadas de Nova York e entra no restaurante para pedir uma dança com Estella. Uma dança que ocorre não mais no velho casarão. E, logo após trocar dois passos embalados, ele pega a mão de sua amada e os dois saem juntos do restaurante, beijando-se na chuva.
"Quando alguém te vê como realmente você é, e quer ficar você, isso é poderoso" - Keith
Six Feet Under S01E03
Enviado pela TAG Inéditos, "Herdeiras do mar" é um relato muito sofrido sobre duas irmãs sul-coreanas durante a Segunda Guerra Mundial. Tive um maior impacto com a obra, pois li 90% do tempo acreditando que era uma história verídica. Entretanto, não é totalmente ficcional. A escritora Mary Lynn Bracht baseou-se em depoimentos de mulheres daquele período para desenvolver as protagonistas.
A trama acompanha a separação das irmãs Hanna e Emi, que moravam com os pais na ilha de Jeju e estavam predestinadas a serem "haenyeo", uma profissão feminina e típica do local. Consiste em mergulhar até as profundezas, sem a utilização de equipamentos, para coletar frutos do mar. Tarefa perigosa, mas que garante o sustento e a independência das mulheres.
Tudo muda quando Hanna é sequestrada pelo Exército Japonês e enviada para o território da Manchúria, onde é obrigada a se tornar uma "mulher de consolo", ou seja, responsável por satisfazer sexualmente os inúmeros soldados que vão para o campo de batalha. Enquanto isso, Emi permanece na ilha que lhe reservará um destino igualmente sofrido, revelado apenas na reta final da narrativa.
Apesar de lento no início, "Herdeiras do mar" engrena do meio para o fim e torna-se eletrizante nas derradeiras páginas. Uma leitura interessante para conhecer outras culturas e saber mais sobre um capítulo praticamente apagado da História da humanidade: a violência sofrida pelas mulheres durante as guerras.
MUITO BOM
Todo ano eu espero ter lido mais do que o saldo final.
2019 apresentou uma melhora, com 12 títulos devorados, inclusive "Nix" e "A catedral do mar", obras extensas, com cerca de 700 páginas cada. O ano ainda reservou meu encontro com a norte-americana Celeste Ng, cujas duas obras lançadas até o momento fizeram com que a colocasse entre minhas escritoras favoritas.
Nesse bom ritmo, 2020 começou com a minha assinatura da TAG Inéditos. E os primeiros títulos já são um reflexo desse investimento. Três meses e cinco livros concluídos, além da pequena joia que abriu o ano, "As mais belas coisas do mundo", do português Valter Hugo Mãe.
O destaque vai para "Os sete maridos de Evelyn Hugo", que me foi enviado pelo clube por engano e revelou-se uma das melhores experiências literárias recentes. A história acompanha uma atriz que ascende ao estrelato durante a época de ouro de Hollywood, porém precisa esconder um grande amor ao longo dos anos. A escritora Taylor Jenkins Reed é mestre em envolver o leitor, tanto que procurei outros de seus títulos, entre eles "Daisy Jones & The Six".
Também merece destaque "Nascido do crime", uma autobiografia do comediante Trevor Noah. Seus relatos durante a infância no período do apartheid são inacreditáveis. Leitura obrigatória para entender um dos piores regimes de segregação da humanidade. E, claro, há uma mistura de drama e humor.
Já "Uma escada para o céu" me fez redescobrir o irlandês John Boyne, o qual havia lido apenas o bestseller "O menino do pijama listrado". Sua escrita é madura e engenhosa. A trama aqui é praticamente uma releitura de "O talentoso Ripley". Infelizmente, descamba para alguns clichês do gênero em seu último ato, mas todo caminho até lá é delicioso.
"Escola de contos eróticos para viúvas" é praticamente um "feel good book". Uma jovem oferece aulas de alfabetização em inglês para senhoras indianas, porém acaba as instruindo para colocar no papel suas fantasias sexuais. A temática de repressão feminina, porém, acaba ofuscada por subtramas que não mereciam tanto destaque. O livro não coloca o dedo na ferida, mas é agradável.
Para encerrar essa primeira leva de leituras, "Um casamento americano" aborda a relação entre o casal afrodescendente Celesial e Roy, que é separado após ele ser preso injustamente. Preconceito e recomeço deveriam ser as tônicas do projeto, mas a autora opta por conferir maior dramaticidade ao formar um (despropositado) triângulo amoroso com o amigo de infância de Celestial. Perde a força do meio para o fim e deixa um gosto de decepção.
A seguir, cada obra lida em 2020 ganhará uma publicação específica e com mais detalhes.
"Essa música me faz lembrar de ser criança. Inocente e feliz por ignorar como a vida pode ser uma piada doentia" - Nate
Six Feet Under S01E03
"Como aquilo começou? Como tudo sempre começa: com mães e pais. Por causa da mãe e do pai de Lydia, por causa das mães e dos pais de sua mãe e de seu pai. (...) Porque sua mãe queria, acima de tudo, se destacar; porque seu pai queria, acima de tudo, se integrar. Porque as duas coisas eram impossíveis."
When you are younger, you'll wish your older
Then when you're older, you'll wish for time to turn around
Don't let your wonder turn into closure
When you get older, when you get older
#nostalgia #music #sadsongs
Oh, time, suddenly we got no time
We're so busy doing life
.
.
.
That I miss your eyes on mine, mine
If you just focus on me
Like we were sixteen
And planning our lives
(When we were planning our lives)
Trecho da música "Sixteen" (Ellie Goulding)
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Quotes SFU - 12
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
Enterrei minha alma
"I only wanted to have fun
Learning to fly, learning to run
I let my heart decide the way
When I was young
Deep down I must have always known
That this would be inevitable
To earn my stripes I'd have to pay
And bear my soul
Learning to fly, learning to run
I let my heart decide the way
When I was young
Deep down I must have always known
That this would be inevitable
To earn my stripes I'd have to pay
And bear my soul
I know I'm not the only one
Who regrets the things they've done
Sometimes I just feel it's only me
Who can't stand the reflection that they see
I wish I could live a little more
Look up to the sky, not just the floor
I feel like my life is flashing by
And all I can do is watch and cry
I miss the air, I miss my friends
I miss my mother, I miss it when
Life was a party to be thrown
But that was a million years ago"
Who regrets the things they've done
Sometimes I just feel it's only me
Who can't stand the reflection that they see
I wish I could live a little more
Look up to the sky, not just the floor
I feel like my life is flashing by
And all I can do is watch and cry
I miss the air, I miss my friends
I miss my mother, I miss it when
Life was a party to be thrown
But that was a million years ago"
Trecho da música "Million Years Ago", de Adele
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Algum barulho para: "Dickinson"
Os mistérios em torno da homenageada ofereceram uma maior liberdade para imaginar o seu cotidiano nos idos de 1845. Na série, Emily é uma adolescente mimada oriunda de uma família aristocrata de Massachusetts. Foi criada para ser uma dona de casa, entretanto ela não quer quer casar e ter filhos, cumprindo o papel de toda mulher de sua época. A protagonista demonstra-se inconformada com as abissais diferenças de gênero, expressando seu posicionamento em ações e versos.
"Dickinson" reproduz toda pompa do passado, o que era esperado, mas surpreende ao flertar com o presente através da inserção de músicas pop atuais, participação do rapper Wiz Khalifa como a própria Morte, transcrição dos versos da poetisa aparecendo na tela, danças provocativas em reuniões festivas e alguns sinais de rebeldia por parte dos personagens. É uma linguagem hipster voltada aos jovens da geração que cultua os filtros do Instagram.
Com uma boa mescla de melancolia e comédia, os dez episódios da série oferecem ainda a presença carismática da atriz e cantora Haille Steinfeld no papel-título. A segunda temporada foi confirmada pela Apple TV+ antes mesmo da estreia da série. Vale a pena conhecer Emily Dickinson e seu mundo de aspirações.
BOM
terça-feira, 4 de agosto de 2020
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
Quotes SFU - 11
Six Feet Under S02E01
domingo, 2 de agosto de 2020
A arte e o infinito
"A arte não só não nos dá poder sobre a natureza, mas a arte
nos dá capacidade de entender melhor ou viver melhor sem entender a nossa
condição humana, que é de desconhecimento. Nós vivemos num mundo mas não
sabemos exatamente o que é a vida, mesmo porque saber é colocar em caixas, é
configurar. Como é que se configura o infinito? […]
A arte nos ajuda a ter esse
equilíbrio, a potencializar a vida, para que ela possa seguir adiante. Nós
temos a cultura e as festas populares, os encontros, tudo isso é fundamental
para a civilização. Não é apenas a ciência, mas a arte, a filosofia e a
cultura, que envolve os hábitos. O modo que uma cidade se organiza, se ela é
violenta, se ela é suja, se ela respeita ou não os cidadãos, isso é um processo
de cultura e de formação humana. É nisso que a gente está inserido... É como se o século 21, tudo se tornasse produto. A arte, a
música… A gente vive tudo isso como se fosse brinquedos que a gente manipula. O
que faltou aí? O que a gente precisa resgatar?"
Trecho da fala da filosofa Viviane Mosé no série "Manual de Sobrevivência no Mundo Contemporâneo" - 8º Episódio - Uma guerra de nós contra nós mesmos
sábado, 1 de agosto de 2020
"O sol mais brilhante", de Adrienne Benson
Com uma mulher negra carregando uma criança branca, a capa de "O sol mais brilhante" induz que o romance deve ter seu foco nas diferenças raciais. Esse tema, evidentemente, faz-se presente, mas a obra de Adrienne Benson se apresenta como um relato sensível sobre questões universais que envolvem maternidade, a busca pela identidade, família, o encontro de seu lugar no mundo e até mesmo o sentido da vida.
O livro acompanha três mulheres protagonistas cujas trajetórias se cruzam no continente africano: Leona é uma antropóloga grávida; Sumi é uma massai estéril; e Jane é esposa de um embaixador norte-americano. Cada uma delas enfrentará caminhos que combinam coragem, amaduramento e, principalmente, recomeços.
A narrativa de Benson oferece destaque e abraça a cultura massai, tribo africana com costumes peculiares, tratada com respeito e sintonia aos acontecimentos da trama. O amor pelo Quênia, onde a escritora morou em seus primeiros anos de vida, transborda das páginas e faz sua paisagem alaranjada refletir na mente do leitor. Também há uma abordagem interessante sobre as Thrid Culture Kids (TCKs), representadas pela personagem de Adia, filha de Leona.
MUITO BOM
11/2020
sexta-feira, 31 de julho de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Você não encontra mais...
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Letra da música "A lista" (2004), de Oswaldo Montenegro
quarta-feira, 29 de julho de 2020
Muito barulho para: "Servant"
"Servant" é uma série de suspense para ser saboreada aos poucos. São episódios de meia hora cada, formando pequenas e sinistras doses capazes de intrigar o espectador. O nome famoso por trás do projeto é M. Night Shyamalan ("O sexto sentido", "A vila"), que assina a produção executiva e dirige o primeiro e o nono capítulo. Aliás, os dois melhores nos quesitos direção e desenvolvimento de narrativa.
A trama envolve um casal suburbano da Filadélfia, Dorothy (Lauren Ambrose) e Sean (Toby Kebbell). Ela é uma repórter televisiva e ele um chef de cozinha. A relação é abalada quando morre o filho recém-nascido do casal. Dorothy não se recupera da terrível perda e, sob aconselhamento de uma terapeuta, Sean arranja um boneco realista para tentar reduzir os danos da tragédia. O "novo bebê" torna-se tão verdadeiro para a jovem mãe, que ela decide contratar uma babá para cuidar do brinquedo. A fim de evitar spoilers, digo apenas que nada é o que parece.
Uma das decisões curiosas da série é transcorrer (quase) inteiramente dentro da residência do casal. As cenas que ocorrem fora daquele ambiente costumam ser visualizadas através de telas, seja da televisão, do computador ou do celular. Outro elemento da composição visual são os pratos culinários elaborados por Sean, que revelam a violência por trás da bela apresentação final. A gastronomia nunca foi tão assustadora.
Com inspiração em "O bebê de Rosemary", o projeto da Apple TV+ realiza a proeza de utilizar um fiapo de história e torná-la atrativa ao longo de 10 episódios. Poderia ser um filme, mas o formato seriado prolonga o prazer em acompanhar essa história de mistério. "Servant" oferece ainda boas atuações, com destaque para a novata Nell Tiger Free. A segunda temporada, inclusive, está garantida.
MUITO BOM
terça-feira, 28 de julho de 2020
Quotes SFU - 9
"A tia Lilian foi a única pessoa que realmente me amou. Meus pais não me amavam. Meu marido com certeza não me amava. E agora ela está morta! O marido dela morreu, e a filha também. Foi em um acidente de carro no seu aniversário de 17 anos. Mas, a tia Lilian foi em frente. Ela criava cães gauleses, entrou em aulas de aquarelas... e ela me amava. E agora ela está morta. Eu nunca me senti tão só no mundo. E eu estou acostumada a me sentir só. Eu sei como é. E, agora, descubro que existe um nível completamente novo" - Tracy
Six Feet Under S01E13
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Pensamentos de "After life"
A primeira temporada de "After Life", comédia dramática com Rick Gervais, é pequena joia, repleta de deliciosas reflexões. Uma vez que o protagonista enfrenta o luto de perder sua esposa (e grande amor), ele se questiona sobre o sentida da vida - e de seguir em frente. Deixo aqui algumas frases:
Felicidade é algo fantástico. É tão fantástica que não importa se é sua ou não.
Uma sociedade cresce bem quando homens velhos plantam árvores que vão criar uma sombra embaixo da qual eles nunca sentarão
O que você perdeu é justamente o que pode curar a sua dor
- Não creio em Deus e essas coisas
- Nem eu. É um monte de besteira. Tudo que temos é um ao outro. Temos que nos ajudar a passar pelas dificuldades até morrermos, até tudo acabar. Não tem porque sentirmos pena de nós mesmos e fazermos os outros infelizes.
Se eu voltasse (ao
passado) e mudasse alguma coisa de que não gostei, eu poderia perder algo que
essa coisa ruim me proporcionou. Você não deveria se arrepender de nada. Ou
pensar: “se eu voltasse eu poderia fazer isso ou aquilo”
Não se pode mudar o
mundo, mas pode mudar a si mesmo.
domingo, 26 de julho de 2020
"As sete mortes de Evelyn Hardcastle", de Stuart Turton
Noite de festa em uma mansão no campo. A família Hardcastle organiza um baile de máscaras para homenagear o retorno da filha mais nova. Quando o relógio marca meia-noite, a protagonista do evento é assassinada. Agora, dia após dia, um homem acorda no corpo de um dos convidado da festa, revivendo os mesmos acontecimentos para tentar descobrir o culpado do crime. Com esta brilhante sinopse, "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" tinha tudo para ser um romance surpreendente que reúne os mistérios de Agatha Christie com viagem no tempo.
Comecei a leitura empolgado e logo devorei as 150 primeiras páginas. Porém, após o terceiro hospedeiro, a história torna-se repetitiva. As linhas narrativas se confundem até cansar a paciência do leitor. No comando, Stuart Turton tenta manter o envolvimento e o clima de suspense, mas sua proposta interessante perde a força ao se alongar por quase 500 páginas.
O diferencial de "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" é, sem dúvidas, a dose de ficção científica com toques de "Black Mirror". Aliás, a inspiração foi tanta que o escritor praticamente copiou parte importante de um episódio da primeira temporada do seriado. Mesmo que faça sentido para a trama, essa escolha revela-se decepcionante enquanto conclusão de sua odisseia em espiral pelos curiosos habitantes da mansão.
BOM
10/2020
sábado, 25 de julho de 2020
Quotes SFU - 8
"Sabe o que eu acho interessante? Se perder um cônjuge, você é chamado de viúvo ou viúva. Se for criança e perder os pais, você é um órfão. Mas, que palavra descreve o pai ou a mãe que perde um filho? Acho que é terrível demais até para se dar um nome" - Brenda
Six Feet Under S01E09
sexta-feira, 24 de julho de 2020
Animais pensantes
- Ninguém gosta do próprio trabalho.
- Então, por que o fazemos?
- Por que buscamos qualidade. Talvez um pouco de insegurança. Entramos nas coisas quando somos jovens, achando que elas significam algo...
- Aí descobrimos que não significam.
- Susan, desfrute do absurdo do nosso mundo. É bem menos doloroso.
Diálogo do filme "Animais noturnos" (2016), de Tom Ford
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Muito barulho para: "Defending Jacob"
Mais que o mistério sobre um assassinato, "Defending Jacob" é uma minissérie da Apple TV+ sobre o que a suspeita de um crime pode provocar. A trama acompanha a destruição de uma família suburbana após o filho de 14 anos ser acusado de matar o colega de sala de aula. As pistas apontam Jacob como o provável culpado e, tanto a mídia quanto a opinião pública, não hesitam em condenar o garoto.
No meio do caos, os pais interpretados por Chris Evans e Michelle Dockery tentam segurar as pontas, o que não será fácil. A mãe fica completamente abalada, inclusive com dúvidas quanto a inocência do próprio filho, enquanto o pai tenta manter a ilusão de que sempre foram um família perfeita. Reviravoltas estão previstas no caminho, deixando a história ainda mais tensa e viciante.
"Defending Jacob" ou "Em defesa de Jacob" oferece uma excepcional construção de narrativa. O último episódio, no entanto, sofre de uma considerável derrapada, com três possíveis conclusões. A escolhida assemelha-se a um thriller literário genérico, diferente da seriedade que a série apresenta em seu desenrolar. Ainda assim, é uma das melhores atrações do ano, com destaque para a impecável atuação de Dockery (promete indicações) e temas urgentes em discussão.
MUITO BOM
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Quotes SFU - 7
"Todo mundo morre. Alguns vivem até os 100 anos, outros não sobrevivem ao primeiro dia. É um fato da vida. Pode esmurrar quantas pessoas quiser, mas não vai mudar o fato de que o menino está morto. E a sua chance de estar na vida dele acabou. Você usou bem esse tempo ou simplesmente desperdiçou? Sua própria vida também está contando no relógio, como a de todo mundo" - Nate
Six Feet Under S01E09
terça-feira, 21 de julho de 2020
"Os sonhadores", de Karen Thompson Walker
Em plena pandemia do novo coronavírus, a TAG Inéditos enviou “Os Sonhadores”, uma obra cuja narrativa é extremamente semelhante ao que estamos vivendo. Talvez, por este motivo, o enfrentamento a uma doença contagiosa não soa como novidade. Os eventos que deveriam ser surpreendentes (ou chocantes) na história tornam-se esperados, uma vez que parte deles se encontram em curso no mundo.
Nas páginas, a doença que se espalha com rapidez é provocada pelo sono. Gradativamente, as pessoas da cidade de
Santa Lora, na Califórnia, adormecem e não acordam mais. Hospitais ficam
lotados. Criam-se leitos em ginásios e campi de universidades. Supermercados
viram campo de guerra. Por fim, isola-se a localidade com a intenção de propagar o contágio.
A leitura de "Os Sonhadores" é mantida pela curiosidade em saber de que forma a escritora Karen Thompson Walker vai dar fim à epidemia - e, consequentemente, qual é o seu real objetivo em contar essa história. Porém, o livro estende-se com personagens superficiais que não geram
empatia e não contribuem à trama. Nem ao menos estão conectados entre si, apenas moram na
mesma cidade.
A tão esperada resolução da autora para a tal "doença do sono" é simplista. Walker até tenta, nas últimas páginas, filosofar
sobre a trajetória da vida – real ou sonhada -, mas tais pensamentos chegam
tarde demais e geram apenas frustração.
9/2020
segunda-feira, 20 de julho de 2020
domingo, 19 de julho de 2020
Agridoce
"Por que você às vezes
Se faz de ruim?
Tenta me convencer
Que não mereço viver
Que não presto, enfim
Se faz de ruim?
Tenta me convencer
Que não mereço viver
Que não presto, enfim
Saio em segredo
Você nem vai notar
E assim sem despedida
Saio de sua vida
Tão espetacular
Você nem vai notar
E assim sem despedida
Saio de sua vida
Tão espetacular
E ao chegar lá fora
Direi que fui embora
E que o mundo já pode se acabar
Pois tudo mais que existe
Só faz lembrar que o triste
Está em todo lugar
Direi que fui embora
E que o mundo já pode se acabar
Pois tudo mais que existe
Só faz lembrar que o triste
Está em todo lugar
E quando acordo cedo
De uma noite sem sal
Sinto o gosto azedo
De uma vida doce
E amarga no final
De uma noite sem sal
Sinto o gosto azedo
De uma vida doce
E amarga no final
Saio sem alarde
Sei que já vou tarde
Não tenho pressa
Nada a me esperar
Nenhuma novidade
As ruas da cidade
O mesmo velho mar"
Sei que já vou tarde
Não tenho pressa
Nada a me esperar
Nenhuma novidade
As ruas da cidade
O mesmo velho mar"
Letra da música "Agridoce" (2010), da banda Pato Fu
sábado, 18 de julho de 2020
Quotes SFU - 5
"Nós éramos crianças quando nos conhecemos. E vimos aquelas crianças desaparecerem" - Ruth para Nathaniel
Six Feet Under S01E09
sexta-feira, 17 de julho de 2020
Muito barulho para: "Feud"
A relação conflituosa entre duas divas da época de ouro de Hollywood é o cerne da série "Feud", criação de Ryan Murphy exibida pelo FX em 2017. A atração televisiva não obteve o reconhecimento que merecia. Talvez as histórias envolvendo Bette Davis e Joan Crawford não sejam tão atrativas para novas gerações. De qualquer forma, quem deixou de assistir "Feud" perdeu uma das melhores séries dos últimos anos.
Não é necessário ser fã das atrizes para saborear a trama inspirada em (inacreditáveis) fatos reais. O recomendado é que se assista, previamente, o longa-metragem "O que terá acontecido a Baby Jane?" (1962), produção que colocou as duas inimigas lado a lado na telona. A série acompanha. em seus primeiros episódios, os bastidores das gravações do filme.
A primeira vista, explorar a rivalidade feminina pode soar de mau gosto. As mulheres são mais fortes juntas e devem se unir contra qualquer opressão, não é mesmo? A trama sabe disso e apresenta os motivos que separaram duas figuras que poderiam ter sido grandes amigas. É uma história antiga que segue bastante atual.
Entre doses cômicas e melancólicas, "Feud" aborda o papel da mulher no cinema, suas chances de sucesso, os usos e abusos gerados pela indústria e pela mídia. Também avança por temas como a dificuldade em envelhecer e o que deixar enquanto legado. Todas essas facetas são potencializadas por protagonistas à altura de suas homenageadas: Susan Sarandon (fenomenal) e Jessica Lange.
MUITO BOM
quinta-feira, 16 de julho de 2020
Crimes e Pecados
"Durante toda a nossa vida
enfrentamos decisões penosas
escolhas morais
Algumas delas têm grande peso
a maioria não tem tanto valor assim
Mas definimos a nós mesmos
pelas escolhas que fizemos
Na verdade, somos feitos da
soma total das nossas escolhas
Tudo se dá de maneira
tão imprevisível
tão injusta
que a felicidade humana
não parece ter sido incluída
no projeto de Criação
Somos nós,
com nossa capacidade de amar
que atribuímos um sentido
a um Universo indiferente
Assim mesmo, a maioria dos seres humanos
parece ter a habilidade
de continuar lutando
e até de encontrar prazer
nas coisas simples
como sua família,
seu trabalho,
e na esperança que
as futuras gerações
alcancem uma
compreensão maior"
Trecho do filme "Crimes e pecados" (1989), de Woody Allen
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Quotes SFU - 4
Brenda e Nate conversam em frente à igreja:
- Você não acredita em Deus, né?
- Acho que tudo é totalmente aleatório. A gente vive, morre e, por fim, nada significa coisa nenhuma.
- Como consegue viver assim?
- Não sei. As vezes, acordo tão vazia que desejo nunca ter nascido. Mas, que escolha eu tenho?
Six Feet Under S01E05
terça-feira, 14 de julho de 2020
3 frases de "Quando Nietzsche chorou"
"Nos apaixonamos mais pelo desejo do que pelo objeto desejado"
"Assumir a responsabilidade dos outros... esse é o caminho para o aprisionamento"
"A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida"
"Quando Nietzsche chorou", de Irvin D. Yalom
Vendido como "filosofia no divã", misturada com episódios reais e linguagem acessível, o bestseller "Quando Nietzsche chorou" não corresponde a nenhuma dessas expectativas. A narrativa é enfadonha, o vocabulário limitado e a romantização dos fatos, por vezes, vergonhosa. A maior parte da história diz respeito a obsessão do médico Breuner por sua paciente Bertha, que sofre de esquizofrenia. Problemático é o mínimo.
A experiência com o livro, no geral, apresentou-se cansativa. Inclusive, pensei em desistir da obra. Larguei de mão por mais de dois meses e, como faltavam 120 páginas, decidi encarar e concluir. Surpreendentemente, a reta final é o seu ponto alto. Cheguei a fazer várias marcações de trechos interessantes sobre o sentido da vida, valendo-se de questionamentos propostos por Nietzsche. Eis que eles finalmente aparecem na leitura!
Porém, o autor Irvin D. Yalom utiliza de um artifício barato para encerrar a trama de Breuner. Um clichê tão ridículo que deixa o gosto amargo da artificialidade. Pois então, era esse o sabor desde o início, não é mesmo? Em resumo, o intuito de saber mais sobre o filósofo que dá nome à obra, aqui, tornou-se em vão.
REGULAR
8/2020
segunda-feira, 13 de julho de 2020
Quotes SFU - 3
David e Keith são chamados de "bichas" no estacionamento do supermercado. Após Keith dar uma dura no preconceituoso, David diz:
- Acho que ele não falou por mal.
- Você se odeia tanto assim? - responde Keith
Six Feet Under S01E04
sábado, 11 de julho de 2020
Sobre grandes esperanças...
Recentemente (e muito pelo filme), li o "Grandes Esperanças" original e percebi as inúmeras mudanças. Digo que o filme de Alfonso Cuarón é uma brincadeira estilosa sobre uma obra literária bem mais complexa. Poderia ter outro título, talvez "Paradiso Perduto", como foi chamado em Portugal, e citar nos créditos iniciais sua inspiração em "Grandes Esperanças". Assim, iria diminuir a pressão de tantas comparações e satisfazer mais o público? Não iremos saber...
De qualquer forma, a produção cinematográfica realizou um ótimo trabalho em reunir elementos essenciais da trama de 1861, tendo seu foco nos capítulos em que o romance se faz presente no livro. O trio formado por Finn/Pip (e sua obsessão por merecer o amor da mulher que está apaixonado), Estella (e a frieza com que foi criada) e Mrs. Dinsmoor/Havisham (e seu plano maquiavélico de obter vingança por seu passado) conduzem a narrativa. É um tanto apressado, porém transmite de modo eficaz a mensagem sobre culpa, desejo e redenção.
"Grandes Esperanças" segue, para mim, um puro deleite cinematográfico. É uma adaptação extremamente imagética, ou seja, feita por uma sucessão de visuais impactantes. E eis que a minha favorita cena não comentei no início: é quando Finn deixa sua vernissage, corre pelas ruas movimentadas de Nova York e entra no restaurante para pedir uma dança com Estella. Uma dança que ocorre não mais no velho casarão. E, logo após trocar dois passos embalados, ele pega a mão de sua amada e os dois saem juntos do restaurante, beijando-se na chuva.
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Quotes SFU - 2
"Quando alguém te vê como realmente você é, e quer ficar você, isso é poderoso" - Keith
Six Feet Under S01E03
quinta-feira, 9 de julho de 2020
"Herdeiras do mar", de Mary Lynn Bracht
Enviado pela TAG Inéditos, "Herdeiras do mar" é um relato muito sofrido sobre duas irmãs sul-coreanas durante a Segunda Guerra Mundial. Tive um maior impacto com a obra, pois li 90% do tempo acreditando que era uma história verídica. Entretanto, não é totalmente ficcional. A escritora Mary Lynn Bracht baseou-se em depoimentos de mulheres daquele período para desenvolver as protagonistas.
A trama acompanha a separação das irmãs Hanna e Emi, que moravam com os pais na ilha de Jeju e estavam predestinadas a serem "haenyeo", uma profissão feminina e típica do local. Consiste em mergulhar até as profundezas, sem a utilização de equipamentos, para coletar frutos do mar. Tarefa perigosa, mas que garante o sustento e a independência das mulheres.
Tudo muda quando Hanna é sequestrada pelo Exército Japonês e enviada para o território da Manchúria, onde é obrigada a se tornar uma "mulher de consolo", ou seja, responsável por satisfazer sexualmente os inúmeros soldados que vão para o campo de batalha. Enquanto isso, Emi permanece na ilha que lhe reservará um destino igualmente sofrido, revelado apenas na reta final da narrativa.
Apesar de lento no início, "Herdeiras do mar" engrena do meio para o fim e torna-se eletrizante nas derradeiras páginas. Uma leitura interessante para conhecer outras culturas e saber mais sobre um capítulo praticamente apagado da História da humanidade: a violência sofrida pelas mulheres durante as guerras.
MUITO BOM
7/2020
quarta-feira, 8 de julho de 2020
Primeiras leituras de 2020
Todo ano eu espero ter lido mais do que o saldo final.
2019 apresentou uma melhora, com 12 títulos devorados, inclusive "Nix" e "A catedral do mar", obras extensas, com cerca de 700 páginas cada. O ano ainda reservou meu encontro com a norte-americana Celeste Ng, cujas duas obras lançadas até o momento fizeram com que a colocasse entre minhas escritoras favoritas.
Nesse bom ritmo, 2020 começou com a minha assinatura da TAG Inéditos. E os primeiros títulos já são um reflexo desse investimento. Três meses e cinco livros concluídos, além da pequena joia que abriu o ano, "As mais belas coisas do mundo", do português Valter Hugo Mãe.
O destaque vai para "Os sete maridos de Evelyn Hugo", que me foi enviado pelo clube por engano e revelou-se uma das melhores experiências literárias recentes. A história acompanha uma atriz que ascende ao estrelato durante a época de ouro de Hollywood, porém precisa esconder um grande amor ao longo dos anos. A escritora Taylor Jenkins Reed é mestre em envolver o leitor, tanto que procurei outros de seus títulos, entre eles "Daisy Jones & The Six".
Também merece destaque "Nascido do crime", uma autobiografia do comediante Trevor Noah. Seus relatos durante a infância no período do apartheid são inacreditáveis. Leitura obrigatória para entender um dos piores regimes de segregação da humanidade. E, claro, há uma mistura de drama e humor.
Já "Uma escada para o céu" me fez redescobrir o irlandês John Boyne, o qual havia lido apenas o bestseller "O menino do pijama listrado". Sua escrita é madura e engenhosa. A trama aqui é praticamente uma releitura de "O talentoso Ripley". Infelizmente, descamba para alguns clichês do gênero em seu último ato, mas todo caminho até lá é delicioso.
"Escola de contos eróticos para viúvas" é praticamente um "feel good book". Uma jovem oferece aulas de alfabetização em inglês para senhoras indianas, porém acaba as instruindo para colocar no papel suas fantasias sexuais. A temática de repressão feminina, porém, acaba ofuscada por subtramas que não mereciam tanto destaque. O livro não coloca o dedo na ferida, mas é agradável.
Para encerrar essa primeira leva de leituras, "Um casamento americano" aborda a relação entre o casal afrodescendente Celesial e Roy, que é separado após ele ser preso injustamente. Preconceito e recomeço deveriam ser as tônicas do projeto, mas a autora opta por conferir maior dramaticidade ao formar um (despropositado) triângulo amoroso com o amigo de infância de Celestial. Perde a força do meio para o fim e deixa um gosto de decepção.
A seguir, cada obra lida em 2020 ganhará uma publicação específica e com mais detalhes.
terça-feira, 7 de julho de 2020
Quotes SFU - 1
"Essa música me faz lembrar de ser criança. Inocente e feliz por ignorar como a vida pode ser uma piada doentia" - Nate
Six Feet Under S01E03
quinta-feira, 9 de maio de 2019
O peso do não-dito
"Como aquilo começou? Como tudo sempre começa: com mães e pais. Por causa da mãe e do pai de Lydia, por causa das mães e dos pais de sua mãe e de seu pai. (...) Porque sua mãe queria, acima de tudo, se destacar; porque seu pai queria, acima de tudo, se integrar. Porque as duas coisas eram impossíveis."
Trecho do livro "Tudo o que nunca contei", de Celeste NG
terça-feira, 16 de abril de 2019
Older
When you are younger, you'll wish your older
Then when you're older, you'll wish for time to turn around
Don't let your wonder turn into closure
When you get older, when you get older
#nostalgia #music #sadsongs
Sixteen
Oh, time, suddenly we got no time
We're so busy doing life
.
.
.
That I miss your eyes on mine, mine
If you just focus on me
Like we were sixteen
And planning our lives
(When we were planning our lives)
Trecho da música "Sixteen" (Ellie Goulding)
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O cultpop MAX:
- MaxCirne
- Viciado em cultura pop, cresceu assistindo filmes e imaginando estar em uma produção de Woody Allen. É admirador de pop arte, de um bom drink e dos livros de Nick Hornby. Não consegue montar um cubo mágico sem ficar frustrado e com vontade de jogá-lo longe. Tem o sonho de morar em Paris no apartamento dos “Sonhadores” e entregar-se ao prazer hedonista. Gosta de dirigir curtas-metragens e brincar com a câmera. Não aprende que deve parar de assistir tantos seriados ao mesmo tempo. Ama o cinema de Tarantino, Wes Anderson e Tim Burton. Precisa viver com trilha sonora, por isso, não dispensa as músicas de The Killers, She & Him e Mika. É jornalista, crítico, cinéfilo e twitta no @maxcirne.



































