"Sei que tudo isso
não passará de histórias um dia
e nossas imagens
se tornarão fotografias antigas.
Todos nós
nos tornaremos pais de alguém.
Mas, agora,
estes momentos não são histórias.
Isto está acontecendo.
Estou aqui.
Consigo enxergar.
Por um momento único,
você sabe que não é uma história triste.
Você está vivo
Você se levanta
e vê as luzes nos prédios.
Está ouvindo aquela música,
naquele passeio,
com as pessoas que você mais ama neste mundo.
E, neste momento, eu juro...
SOMOS INFINITOS"
Trecho do filme "As Vantagens de Ser Invisível" (2012)
"As pessoas afetivamente mais infelizes que conheço são as que mais gostam de música pop, e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo suas vidas infelizes"
"Quando temos aqueles raros momentos de clareza, aqueles instantes em que o universo faz sentido, tentamos desesperadamente nos agarrar a eles. Eles são como botes salva-vidas para os tempos mais sombrios, quando o sentido de tudo isso, a natureza incompreensível da vida,
nos escapa totalmente. Então a questão volta a ser, ou deveria ter sido sempre: o que você faria se soubesse que tem apenas mais um dia, uma semana ou um mês de vida? A que bote salva-vidas se agarraria? Qual segredo contaria? Que banda iria assistir ao show? Para qual pessoa declararia o seu amor? Qual desejo realizaria? Para qual exótico local viajaria só para tomar um café? Qual livro escreveria?"
Nova série da HBO, "Enlightened", teve sua primeira temporada, com dez episódios de meia hora cada, lançada no ano passado. Por ser rapidinha, já é um motivo para assistir. Mas, mais que isso, o tv show merece entrar na sua watchlist pela performance da atriz Laura Dern, que interpreta com verve uma mulher de 40 anos que surta após o término de um relacionamento e vai para um spa terapêutico. Ela retorna com ideias altruístas de mudar o mundo, mas só quebra a cara. O seriado em si não lá grandes coisas, mas Laura carrega os episódios nas costas, com uma atuação irretocável. Irritante quando precisa e carismática nos momentos mais delicados. Sua interpretação garantiu a renovação para uma segunda temporada, após vencer o Globo de Ouro por Melhor Atriz (comédia).
Além de Laura, "Enlightened" às vezes surpreende com pequenas pérolas em seu roteiro. Pensamentos sobre amores, escolhas, superação e o significado da felicidade. Abaixo, coloco algumas dessas frases retiradas da série que valem uma reflexão:
Trecho 1 Mas você não consegue Aconteceu O bebê morreu O cachorro também Um coração foi partido Te conheci quando você era jovem Sei que seu coração foi partido também Continuarei te conhecendo quando nós dois estivermos velhos E, quem sabe, mais sábios Espero que sejamos sábios Te conheço agora Sua história A minha não é bem o que eu gostaria Mas eu aceito É a minha história Só minha E ainda não acabou Ainda resta tempo Ainda resta Muito tempo.
Trecho 2: Meu marido Minha decepção amorosa Minha dor Parece tão calmo agora Aqui... Não é mais o traidor e mentiroso Não sou mais a histérica e ranzinza Não estamos velhos Ou jovens Não há amargura ou ilusões E não há necessidade de medo ou esperança Somos apenas espíritos vagano juntos por este planeta perfeito Podemos nos libertar de nossas tristes histórias Elas flutuam até que sejam lembrança de um sonho recente Sombras embaixo d´água
Trecho 3 - Parte I As vezes, tarde da noite com medo e vergonha, deito na cama e penso na vida de outra pessoa Imagino o amor que recebe E o alívio que vem de ser realmente conhecido Os prazeres secretos que partilham Os amigos que têm e as pressões que não tem A sensação de importância As satisfações no trabalho Imagino como são realizados Como a vida deles é valiosa E nestes momentos Me sinto vazia e desprovida. Trecho 3 - Parte II Vejo a paixão que está faltando Os amigos que não conhecem E a terrível pressão que os esmaga Nesses momentos percebo o quanto tenho E quanto tenho para dar.
"Pode tentar fugir da história da sua vida Meu primeiro amor Imagino o amor que não têm
Principalmente quando se sente com 21 anos por dentro
Todas as forças que te sustentam durante a vida
simplesmente definham uma a uma
Você observa seu rosto no espelho
e percebe que falta algo
E descobre que é o seu futuro".
Trecho do filme "Setembro (1987)", de Woody Allen.
Minha média de 15 a 20 livros por ano despencou em 2010 para apenas oito. Apesar de ter diminuído o folhar das páginas, segui adquirindo novos exemplares para leitura. Dessa forma, tenho uma surtida biblioteca pronta para ser devorada em 2011. E esta é uma das minhas resoluções para este novo ano: ler mais.
Aqui vão os títulos que concluí no ano que passou:
Com a produção fonográfica cada vez mais difundida através dos meios de comunicação, o consumidor de música passou a ter fácil acesso a uma série de projetos, principalmente, através da internet. Entre os downloads dos últimos meses, o CultPopMax destacou sete canções irresistíveis que até chegaram a fazer um alarde, mas talvez não tenham vindo a ser escutadas por você. Ainda assim, cuidado, todas apresentam potencial para ficar na sua cabeça por horas, e por conseqüência, render ótimos momentos tanto na balada, numa tarde com os amigos ou em um encontro romântico. Descubra-as e bom proveito.
-->She & Him – "Ridin´ My Car"
Não há dúvidas de que Zooey Deschanel (“500 Dias com Ela”) manda bem no cinema e na música. A banda She & Him, composta por ela em parceria com o produtor M. Ward, é uma das melhores revelações da atualidade e confirmou este posto com o amadurecimento apresentado em seu segundo álbum. A canção escolhida entre as 13 faixas é “Ridin´ My Car”, uma clara homenagem aos Beatles, que surge com um suingue característico do “fab four” misturado com o estilo nostálgico/folk/indie do She & Him. O dueto entre Deschanel e Ward empolga e nos leva ao passado com muito bom gosto.
Keane – "Stop For a Minute"
Apesar de “Night Train” não ter sido o disco completamente diferente que o vocalista Tom Chaplin anunciou, pelo menos rendeu uma excelente canção, “Stop For a Minute”, balada dançante com direito a uma parceria inusitada (e bem-vinda) com o rapper K´Naan. Os ingleses do Keane já haviam atingido o ápice no magnífico disco “Perfect Symmetry" - não há toa esse título - lançado em 2008. Agora, eles embarcaram em uma atmosfera mais pop, porém sem deixar de fora as baladas melancólicas.
Mika – "Kick Ass"
Criada especialmente para o filme “Kick Ass – Quebrando Tudo”, a música aborda com propriedade a história do projeto (grupo de adolescentes perdedores que decide ser tornar super-heróis) e deixa explícito em seus versos que somos todos jovens e com sangue em nas nossas mãos: a mudança vem quando quereremos mudar o mundo. O hino dos losers é eletrizante bem como o trabalho do fantástico intérprete, que dá ainda maior veracidade para a temática no videoclipe da produção.
Scissor Sisters – "Invisible Light" & "Fire With Fire"
Recentemente lançado, “Night Work” é o prometido álbum do Scissor Sisters após um hiato de quatro anos. A caprichada produção emplaca de imediato duas músicas para entrar na história do grupo: “Fire With Fire” e “Invisible Light”. A primeira é um verdadeiro hit com refrão delicioso e ritmo para deixar de lado qualquer pensamento ruim. Enquanto isso, “Invisible Light” destoa como a faixa mais diferente do cd, porém sua estrutura com batidas eletrônicas e refrão grudento produz efeito mesmo sem a profusão das luzes de boate. O resultando em ambas é bombante por natureza.
Pete Yorn & Scarlett Johansson - "I Don´t Know What To Do"
Com forte inspiração no trabalho produzido por Serge Gainsburg e Briggite Bardot na década de 60, o cantor americano Pete Yorn se uniu a atriz Scarlett Johansson para formar uma parceria semelhante, que rendeu um disco leve, despretensioso e com jeito de LP antigo. Entre as canções, o hit “Relator” destacou-se pelo estilo Beatles, mas quem recebe o título da melhor é “I Don´t Know What To Do”, principalmente, pela composição pop embalada por um dueto em perfeita sintonia. Apesar do conjunto das faixas contar uma história de separação conjugal, o disco resgata um período mais ingênuo e tranquilo, que faz muito bem para os ouvidos.
Vampire Weekend – "Give Up the Gun"
Entre as músicas tão distintas do segundo disco da banda, “Give Up the Gun” se destacou após o lançamento do videoclipe recheado de personalidades, como Jake Gyllenhaal, Jonas Brothers e Lil' Jon. O pop colegial da canção diverte com o instrumental repetitivo e a voz melosa do vocalista Ezra Koenig. O restante do álbum também merece uma audição, com destaque para “Horchata”, que lembra um hino africano, e “Cousins”, que se tornou mais conhecida pelo vídeo da campanha “Life in a Day” do Google.
- Obrigado.
- Por que?
- Obrigado por lembrar que eu não sou especial. Você nem sequer vê o que você faz, não é? Mesmo os momentos que eu penso serem nossos, é apenas você trabalhando para conseguir o que você quer.
Oh nós sabemos Este é o seu show. Então pegue tudo.
- O que você falando? O teste de tela? Você tem que entender. Isso não é nada. É o que eu faço. Eu dirijo. É o meu trabalho.
- E esta é a nossa vida. Você acha que criar é perdoar a si próprio em público. Ótimo. Mas acho que não posso perdoá-lo particularmente, por que não posso. Sempre.
Então vá em frente. Pegue tudo. Você quer minha alma? Pegue tudo. É hora de sair, Se eu estou a viver. Porque eu não tenho mais, Não há mais nada para dar. Eu vejo você subir, Eu vejo você cair. Enquanto estou em pé Com as minhas costas contra a parede. Agora é sua vez de finalmente aprender. Você teve o mundo. Você teve o impulso. Você queria mais do que tudo. Você recebeu seu desejo. Você recebeu seu prêmio. Agora recebe isto bem entre suas coxas. Você agarrou tudo, meu amigo Mas você não vê que no final Não haverá nada.
- Você é apenas um aperitivo. E se você deixasse de ser ganancioso você morreria. Você leva tudo. E eu estou vazia... Você sabe, estou feliz por ter vindo. Agora posso ver, não há esperança.
- Estou morrendo.
- Como assim?
- Estou morrendo.
- Devo chamar uma ambulância?
- Não. Agora não. Não essa noite! Mas me refiro a um dia.
- Boris, todos morrem.
- Isso é inaceitável.
- Seus ataques de pânico estão cada vez mais freqüentes e intensos. Precisa voltar a tomar seus remédios.
- Eu não vou voltar a tomar essa droga de remédio. Não quero ficar com minha cabeça entupida de produtos químicos quando sou o único que vê o cenário completo exatamente como é. Cadê a droga da vodka?
- Boris, eu tenho clientes amanhã pela manhã. São quatro da manhã.
- Clientes. Certo. Banqueiros ricos para projetar apartamentos chiques e enchê-los de arte e bens caros para que possam ostentar o dinheiro deles e estarem no topo dos 1% dessa vergonhosa, violenta, preconceituosa, analfabeta, sexualmente reprimida e injusta nação.
- Deus, são quatro da manhã. Pode me poupar dessa fala de colegial?
- Sou um cara com uma enorme visão do mundo. Estou cercado por micróbios!
- E eu? Sou um micróbio? Seu filho que estuda em Yale é um também?
- Vamos encarar os fatos, certo, Jéssica? Nosso casamento não tem sido um jardim de rosas. Botanicamente falando, seu perfil é o de uma planta carnívora.
- Você é um homem difícil de conviver.
- Foi por isso que teve um caso?
- Não tive um caso. Foi um breve interlúdio de infidelidade e aconteceu há anos. Ainda não consegue esquecer isso!
- Vejo tudo tão claro agora. Tudo! Casei com você pelas razões erradas.
- O que quer dizer com isso?
- Você é brilhante. Eu queria alguém para conversar. Você ama música clássica. Você ama arte. Você ama literatura. Você amava sexo. Você me amava!
- Essas me parecem ser boas razões!
- Sim! Exatamente! Esse é o problema! É esse o problema! Foi racional, isso faz sentido.
- Não sei o que deu errado. Quando se examina de perto, há muito em comum entre nós.
- Na teoria, somos perfeitos. Mas a vida não é só teoria.
Ganhei um cubo mágico esses dias. Sempre quis um. Talvez porque ele represente um constante desafio, ou porque é um objeto legal para se ter no quarto, ou então porque é um passatempo que fica à disposição ali na prateleira.
Ele pode ser utilizado em vários momentos. Tenho que esperar o download terminar? Pego o cubo mágico. Preciso de uma ideia para o último parágrafo de um texto? Pego o cubo mágico. Bateu aquele tédio? Pego o cubo mágico.
O cubo se tornou um companheiro. Mas, esse colega não tem demonstrado ser tão bacana assim. Vivemos em uma relação de amor e ódio. Ódio porque não consigo colocar uma só cor em cada uma das seis faces, ou seja, não consigo completar o quebra-cabeças. Já tentei por horas. Já pedi ajuda. Já assisti vídeos no YouTube e tentei fazer o mesmo. Não adiantou.
A partir daí, o cubo tem me atormentando. Passo por ele no quarto e digo para mim mesmo: “ainda vou conseguir colocar todas as peças no lugar”. Que raiva! O cubo é um dos brinquedos mais populares do mundo. Então, me pergunto: será que as pessoas realmente conseguem completar o enigma? Ficam neuróticas que nem eu? Desistem logo em seguida? O que elas fazem? Enquanto isso, eu sigo tentando. Quero terminar essa droga.
Mas, também, se caso um dia eu consiga completar, o cubo vai perder toda graça. Então, será que não é melhor deixar assim? Ao menos ele continuará “mágico” para mim.
I had a feeling once
That you and I
Could tell each other everything
For two months
But even without hope
With truth on our side
When you turn away from me
It's not right
I think you're a Contra
I think you're a Contra
And dear Contra
I think you're a Contra
My revolution thoughts
Live in lies of desire
I wanna trace them to the source
And the wire
But it's not useful now
Since we both made up our minds
You gotta watch out for yourself
So will I
I think you're Contra
I think that you lie
Don't call me Contra
Till you've tried
You wanted good schools
And friends with pools
You're not a Contra
You wanted Rock' n' Roll,
Complete control
Well, I don't know
Never pick sides
Never choose between two
But I just wanted you
Never pick sides
Never choose between two
But I just wanted you
I think you're Contra
I think that you lie
Don't call me Contra
Till you've tried
Descobri Scissor Sisters na semana passada. Até então só tinha escutado o hit “I Don´t Feel Like Dancin´”, uma mistura de “disco” com “glam rock” tão bem feita que nem parece atual – algo como o encontro de Bee Gees com o Village People. É interessante lembrar que a composição foi uma parceria com o mestre Elton John.
Depois do alvoroço em 2006, não escutei mais nada do grupo. Isso até semana passada, quando ouvi o single do próximo disco, “Night Work”, tido como uma das grandes promessas de 2010. A faixa em questão, “Invisible Light”, capturou meus sentidos com a pegada eletrônica de voz robótica e sua forte inspiração em Pet Shop Boys. Alguns minutos depois estava eu cantando o refrão sem perceber.
Desde que surgiu a banda, tive vontade de pesquisar a sua discografia. De vez em quando faço isso com alguns artistas: realizo o download de todos os discos numa verdadeira obsessão por suprir os anos que mantive total desconhecimento da produção musical que estavam desenvolvendo. Assim, baixei os dois álbuns prévios do Scissor Sisters e percebi que estive alienado de um som contagiante que até hoje parece urgente nas pistas de dança.
Na primeira audição já identifiquei ótimas canções: “Take Your Mama”, “Filthy-Gorgeous” , “The Skins”, “It Can´t Come Quickly Enough”, “Return to Oz”, “She´s My Man”, “Land of Thousand Words” e a minha favorita “Mary”. O curioso é que faixas vibrantes misturam-se com baladas emocionantes – o que comprova uma certa versatilidade.
“Night Work”, o anunciado retorno da banda após quatro anos, chega nas lojas no dia 28 de junho. Agora eu também faço parte do grupo de fãs que espera ansioso por este lançamento. I´ll Be Dancing Soon...
"Quando você é uma criança
O mundo é uma grande doceria
Cheia de balas e outras coisas.
Mas um dia, você olha
E vê uma prisão
Onde está condenado à morte.
Quer fugir, gritar ou chorar
Mas algo o prende lá dentro.
Será que os outros são vacas
Ruminando à espera do açougue?
Ou apenas estão quietos, como você,
Planejando sua fuga?
Depois de muita escuridão,
um raio de luz pode fazê-lo feliz.
Ideias estranhas vem a cabeça
E é melhor pensar nelas.
Será que um destino especial nos chama
E não ouvimos?
Existe uma mensagem secreta à
nossa frente que não lemos?
Será essa sua última e
Melhor chance?
Você vai aproveitá-la?
Ou vai morrer com suas veias
cheias de vida?"
(Trecho do filme Por Um Sentido Na Vida - "The Good Girl")
Viciado em cultura pop, cresceu assistindo filmes e imaginando estar em uma produção de Woody Allen. É admirador de pop arte, de um bom drink e dos livros de Nick Hornby. Não consegue montar um cubo mágico sem ficar frustrado e com vontade de jogá-lo longe. Tem o sonho de morar em Paris no apartamento dos “Sonhadores” e entregar-se ao prazer hedonista. Gosta de dirigir curtas-metragens e brincar com a câmera. Não aprende que deve parar de assistir tantos seriados ao mesmo tempo. Ama o cinema de Tarantino, Wes Anderson e Tim Burton. Precisa viver com trilha sonora, por isso, não dispensa as músicas de The Killers, She & Him e Mika. É jornalista, crítico, cinéfilo e twitta no @maxcirne.