Filme: "Os sonhadores" (2003)
Ao contrário de outros hábitos culturais, os jogos de tabuleiro pegaram um pouco de poeira durante 2020. A pandemia impediu a realização de jogatinas presenciais. Ainda assim, 35 jogos foram para mesa em 101 partidas. A maioria delas tendo sido realizadas nos três primeiros meses do ano, sem distanciamento social. O resultado, referente aos boardgames preferidos em 2020, segue abaixo:
1° - AZUL e KINGDOMINO - 10 partidas cada
2° - BIBLIOS, EXPLORADORES e LUXOR - 7 partidas cada
3° - CENTURY e DREAM HOME - 6 partidas cada
4° - FAE - 5 partidas
5° - CELESTIA, EXPLODING KITTENS, KANAGAWA e THE QUEST TO EL DORADO - 3 partidas cada
6° - 7 WONDERS DUEL, HADARA, HARU ICHIBAN, HIGH SOCIETY, LUNA, SABOTEUR, TICKET TO RIDE e TTR: PAÍSES NÓRDICOS - 2 partidas cada
7° - ABYSS, ALHAMBRA, A ILHA PROIBIDA, BROOM SERVICE, CATAN, CYCLADES, DESERTO PROIBIDO, FUNGI, JÓRVIK, KRONIA, PANDEMIC, SANTORINI, SCHOTTEN TOTTEN, SOCIEDADE DOS SALAFRÁRIOS e STONE AGE - 1 partida cada
O isolamento social incentivou, durante o ano de 2020, o consumo de entretenimento televisivo. Na retrospectiva, assisti 593 episódios de um total de 59 seriados. Esses números foram quase três maiores na comparação com o ano anterior. Segue abaixo todos os títulos assistidos e, ao final, os 10 melhores:
O livro de John Grisham utiliza uma argumento poderoso para desenvolver seu novo exemplar de thriller jurídico. A crítica social surge em alguns momentos, mas não é a tônica do projeto. O autor foca mais na investigação, a fim de manter o leitor fisgado do início ao fim.
Em compensação, Grisham empolga-se por demais e inclui elementos que não são críveis em uma narrativa inspirada em história real. O escritor chega a criar subtrama que envolve uma casa assombrada, algo totalmente descartável.
"Cartada final" encerra com a sentença do júri, mas não oferece desdobramentos. Poderia ter sido mais enfático na sua mensagem política, mas perde a oportunidade. Ademais, as soluções para um mistério de mais de 20 anos são simplistas. Não há como negar a habilidade do autor em desenvolver uma narrativa envolvente, mas, no fim, parece mais caça-níquel do que obra preocupada em transformar a sociedade.
BOM
27/2020
Adquiri este livro em 2016, assim que foi lançado no país, mas não consegui persistir na leitura. Não era o que eu esperava. Neste "ano literário", decidi oferecer uma nova chance para "Como Woody Allen pode mudar sua vida" e aproveitei muito mais a visão de Éric Vartzbed para os filmes de um dos meus diretores favoritos.
O autor concede uma análise psicológica para os personagens de dezenas de longas-metragens de Allen. Não chega a ser autoajuda, como o título pode induzir. São pensamentos interessantes, organizados tematicamente. Já me cativou pelo fato do filme "A outra", meu preferido, ser o ponto de partida do livro e, também de diversas perspectivas.
Mesmo tendo míseras 80 páginas, esta foi a obra da minha modesta coleção que mais sublinhei trechos. A leitura, certamente, desperta a vontade de (re)ver a filmografia completa do cineasta.
MUITO BOM
26/2020
O escritor argentino utiliza o mito do Santo Sudário de Turim como fio condutor da narrativa. A partir deste objeto, escancara-se o quanto a religião é feita pelos homens, na maioria ardilosos em suas ações em busca da dominação.
O resultado é fascinante, mas o livro tem seus pontos fracos: parágrafos muito longos e descritivos, sendo alguns trechos redundantes e/ou preciosistas. As passagens que envolvem o manuscrito de Christine são cansativas, por exemplo, e enfraquecem o ritmo da narrativa. Também há um atropelo dos acontecimentos nas últimas páginas.
Mesmo com algumas derrapadas na construção, a maioria da parte técnica, "A cidade dos hereges" é poderoso e sua mensagem reverbera por muito tempo depois do término da leitura.
MUITO BOM
25/2020
Six Feet Under S05E03
Na onda de conhecer mais obras de John Boyne, optei por reler o título que o tornou famoso mundialmente. E é compreensível o porquê de "O menino do pijama listrado" ter sido um sucesso. A premissa de duas crianças conversando através da grade de um campo de concentração nazista é muito potente.
Nas páginas, o autor oferece diálogos curiosos e boas reflexões. Porém, carece de uma mão mais pesada e crítica para desenvolver - ou aprofundar - certas questões. Parece que a ideia se esgota rápido, o que faz o livro ser concluído com menos de 200 páginas. Talvez a proposta de ser "infanto-juvenil" tenha freado essa abordagem, deixando a sensação de que "O menino do pijama listrado" poderia ter sido esplêndido, memorável, um clássico. Ainda assim, segue uma ótima leitura.
MUITO BOM
24/2020
O livro reúne momentos inspiradíssimos, como o conto de abertura "Uma questão temporária", e outros nem tanto, vide "Uma casa abençoada". Vale destacar "Quando o sr. Pirzada vinha jantar", "Sexy" e o otimista "O terceiro e último continente". O gosto amargo surge pela forma abrupta como a escritora decide encerrar suas histórias, geralmente provocando frustração.
BOM
23/2020
"Toda vez que você tenta ter uma vida normal, você estraga tudo. Você nunca terá o momento 'felizes para sempre'. Não importa quantos véus você vista. Você não serve para isso. Aceita, em vez de tentar ser o que você não é" - Lisa para Brenda, no seu dia de casamento
Six Feet Under S05E01
William Shakespeare
Este é um dos textos mais curtos do autor inglês, talvez por isso senti um atropelo nos acontecimentos. Já conhecia a história a partir da adaptação literária infanto-juvenil e do filme recente estrelado por Michael Fassbender e Marion Cottilard. Aliás, tenho um fascínio pelos acontecimentos envolvendo o general do exército Macbeth, sua esposa maquiavélica, o colega Banquo, o rei Duncan e as três bruxas proféticas. Por este envolvimento, acreditava que iria me deparar uma "vilã" mais atuante na trama, por exemplo.
"Macbeth" oscila entre uma linguagem acessível e dinâmica com aforismos rebuscados, principalmente em trechos que personagens tendem a filosofar sobre suas ações. Por vezes, torna-se artificial e enfadonho. Mas, como tudo é resolvido rapidamente, não faz desanimar. Quero avançar em mais leituras de Shakespeare em 2021!
MUITO BOM
22/2020
Brenda: Eu senti a sua falta. Nessa situação... (doença e enterro de seu pai)
Nate: Eu também senti a tua falta. Eu não sei o quanto eu mudei, estando com você. Quanto você me fez crescer como pessoa. Eu não seria o que eu sou hoje se eu não tivesse te conhecido.
Brenda: Você me mudou também.
Nate: É mesmo? Como?
Brenda: Você foi a primeira pessoa que eu perdi e me custou algo. Por isso, eu nunca mais estive com ninguém.
Nate: Ninguém?
Brenda: Eu tenho pavor de estragar tudo de novo.
Nate: Você vai encontrar alguém.
Brenda: Essa não é a solução. Você sabe o que eu acho?
Nate: Sobre o quê?
Brenda: Eu não sei. Sobre a vida.
Nate: O quê?
Brenda: Eu acho que é uma questão de sincronia (timing). Sincronia é tudo.
Nate: Você pode ter razão.
Six Feet Under S03E07
"Southernmost" é uma história sobre mudança de perspectiva a respeito da vida. Asher percebe que, depois de anos sendo pastor em uma comunidade isolada e conservadora, não pode viver sobre aquilo que não acredita: valores da igreja, cultura de ódio e falsidade. O estopim é o preconceito a um casal homossexual que se muda para o local. A partir dessa mudança, Asher pega estrada junto do filho para a ilha de Key West, o ponto mais ao sul dos Estados Unidos, a fim de tentar se aproximar do irmão gay que renegou no passado.
O livro de Silas House aborda vários temas urgentes de maneira leve. Utiliza da ficção para transmitir sua mensagem de aceitação da diferença, o que por si só já é poderoso. Esperava que o casal homossexual recém chegado no vilarejo fosse mais desenvolvido nas páginas, gerando uma "guerra" na cidade. Mas, o protagonista foge do confronto, tornando-se uma escolha curiosa da narrativa. Pois, o foco de "Southernmost" é a figura de um sujeito repassando suas escolhas e tentando reverter o tempo perdido para dar lugar ao que realmente importa: o amor.
observação: Minha única crítica vai para o irmão do pastor, Luke, que se tornou padre (?!) e não recebe merecido desenvolvimento na trama.
MUITO BOM
21/2020
Brenda: Eu não quero odiar meus pais mais do que eu já os odeio.
Scott: Você vai acabar perdoando os dois.
Brenda: Também não quero fazer isso. Não quero ser uma dessas pessoas horríveis que sofrem o tempo todo.
Scott: E nos momentos em que sofre?
Brenda: Escolho não sofrer.
Scott: Qual é o problema de sofrer um pouco?
Brenda: Eu sinto que vou morrer.
Scott: Você não morre.
Six Feet Under S02E13
"Quem tem confiança em si não precisa lembrar os outros do seu status social superior, mas os que não a têm acham necessário nos empurrar isso goela abaixo vinte vezes por dia"
John Boyne
Ao redescobrir John Boyne esse ano, resgatei a minha cópia de "O garoto no convés" adquirida em 2009, logo após o sucesso de "O menino do pijama listrado". A leitura confirmou que o escritor irlandês possui um jeito fluído e envolvente com as palavras. Suas narrativas despertam curiosidade e tornam a leitura voraz.
O romance é baseado no episódio verídico de 1789: o motim do navio Bounty. Os fatos são apresentados pelo ajudante do capitão, a partir de um viés novelesco. São quase 500 páginas para um trama interessante, porém previsível e, por vezes, repetitiva - principalmente ao abordar o traumatizante passado do protagonista. De qualquer forma, o passatempo é garantido e, de quebra, sabe-se mais sobre um relato de sobrevivência que entrou para a História.
observação: bizarra a tradução do título para português, uma vez que, no original, é "O motim do Bounty" ("Mutiny on the Bounty"). "O garoto no convés" provavelmente foi escolhido pela Companhia das Letras a fim de pegar carona do livro mais famoso do escritor.
BOM
19/2020
O livro do mês de aniversário da TAG me apresentou Joe Hill. Este nome já havia chegado até mim, mas não sabia que o escritor era filho do mestre Stephen King. A constatação me deixou empolgado em pegar para ler a coletânea "Carrossel sombrio", lançada em 2019 e que oferece 13 histórias envolvendo fantasia, psicologia, horror e dramas familiares.
Logo de imediato, as narrativas chamam atenção pela habilidade em que o escritor, no início de cada conto, joga o leitor no meio de um acontecimento em curso, apresentando aos poucos as pistas do que realmente está acontecendo. Esta escolha desperta a curiosidade em desvendar cada uma das perturbadoras histórias.
Se, por um lado, o autor sabe como envolver seu público, por outro, apresenta uma incapacidade em oferecer finais satisfatórios. A maior parte das narrativas perde impacto justamente em seus desfechos, chegando a soar como inacabadas ou experimentais.
Ainda assim, o conteúdo reunido em "Carrossel sombrio" é bastante diversificado, com espaço para homenagem a filme de Steven Spielberg ("Alta velocidade"); experimentações na forma escrita ("O diabo na escada" e "Twittando no Circo dos Mortos"); parceria com o pai famoso ("Campo do medo"); e flerte com ficção científica ("Devoluções atrasadas").
Como a maior parte dos livros de contos, o saldo é irregular. Os melhores são: "Tudo o que me importa é você", que utiliza de uma alegoria futurista para abordar a dificuldade existente nas relações humanas, e "Estação Wolverton", o qual considero uma visão extremamente ácida sobre a frase "O homem é o lobo do homem", de Thomas Robbes.
Vale destacar a introdução do livro em que Joe Hill conta como é ser filho de Stephen King e, ainda em tempo, a edição mais do que caprichada da TAG Inéditos, repleta de belíssimas ilustrações, sendo capazes de tornar a experiência ainda mais imersiva.
BOM
18/2020
Karla: Eu posso ser uma drogada, mas eu nunca machuquei a minha filha.
Keith: Era assim que as pessoas criavam os filhos antigamente. Cansei de vê-la culpar o pai pelas coisas erradas na sua vida.
Karla: Por favor, você sabe como qualquer coisinha o faz perder a cabeça.
Keith: Eu acho que ele mudou. As pessoas mudam.
Karla: As pessoas não mudam. Elas envelhecem, só isso.
Six Feet Under S02E11
Drama e thriller ao mesmo tempo, "A filha do rei do pântano" é um conto complexo e, por vezes, perturbador. Conta a história de Helena, uma jovem mulher fruto de um sequestro. Sua mãe foi raptada e mantida em uma cabana na floresta, onde a protagonista nasceu e permaneceu sem saber a verdade até aos 12 anos, quando foi resgatada. Enquanto viveu isolada, desenvolveu um forte vínculo com o pai criminoso.
Agora, depois de muitos anos preso, o sequestrador foge da penitenciária. Então, Helena decide caçar seu pai, pois sabe que é a única pessoa capaz disso, em virtude de ter sido treinada por ele, com a capacidade de percorrer o pântano e seguir seus rastros.
"A filha do rei do pântano" é uma leitura viciante, pesada e curiosa. A protagonista navega por sentimentos conflitantes durante toda sua jornada, entre amor e ódio dirigido ao seu opressor. O caminho em busca da superação se revela bastante violento conforme Helena precisa lidar com diversos traumas. Recomendo!
MUITO BOM
17/2020
Nate: Eu ainda não contei para ela (Brenda) sobre a minha doença.
Ari: Como não contou isso para a sua alma gêmea?
Nate: Nem sei se ela é minha alma gêmea.
Ari: Entendi. Ela não é a sua alma gêmea, mas vai se casar porque não tem nada melhor para fazer?! Que ótimo.
Nate: Ei, eu nem sei o que é alma gêmea. Você sabe?
Ari: Aquela pessoa que o leva a ser o mais autêntico possível. Talvez a sua alma gêmea seja... a pessoa... que mais force a sua alma a crescer. Nem todo crescimento dá prazer.
Six Feet Under S02E07
"Mrs. America" é uma minissérie que acompanha um importante capítulo da história do movimento feminista. O foco é a articulação de lideranças durante a década de 1970 nos Estados Unidos. De um lado, as progressistas, que defendem direitos iguais entre homens e mulheres, do outro, as conservadoras, que temem perder seus "privilégios" de donas de casa.
O debate é curioso e provoca interessantes questionamentos. Porém, também soa de gosto duvidoso ao humanizar a personagem de Phyllis Schlafly (Cate Blanchett), advogada que lutou contra o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o ingresso de mulheres nas forças armadas e a ampliação de direitos trabalhistas para mulheres. Todas essas causas faziam parte da Equal Rights Amendmant (ERA).
A atração televisiva da FX acompanha os bastidores da campanha da ERA através de votações em cada estado norte-americano. Apresenta figuras valiosas da luta feminista, como Gloria Steinem (Rose Byrne), Betty Friedan (Tracey Ullman), Bella Abzug (Margo Martindale), Shirley Chrisholm (Uzo Aduba) e Jill Ruckelschaus (Elizabeth Banks). Praticamente uma aula sobre cada uma dessas mulheres, já que os capítulos são temáticos e focam num nome por vez.
O ponto alto, sem dúvidas é o elenco poderoso, tendo Blanchett a frente com mais uma brilhante performance. Sua Phyllis gera demasiado incômodo ao provocar simpatia e repulsa ao mesmo tempo. Incômodo também é o sentimento ao retratar uma luta entre mulheres, uma vez que deveriam se unir contra o verdadeiro inimigo: o machismo. Por vezes, falta sororidade em tela. "Mrs. America" perde a oportunidade de investir em uma mensagem mais enfática, sem conceder tanta voz e espaço para argumentos perigosos.
BOM
"Grandes Esperanças" é um novelão dos melhores. Conta a história do jovem Pip, órfão que recebe uma herança, renega o passado e se muda para Londres, a fim de tentar se inserir na alta sociedade e obter equiparidade social para conquistar Estella, um amor à primeira vista despertado na infância.
Familiarizado (e fã) do filme de 1999, uma versão moderna do original, não esperava encontrar tantas subtramas e camadas oferecidas por Dickens. O terceiro ato, por exemplo, pouco aborda o romance entre Pip e Estela, considerada a tônica da narrativa. Há muito mais a ser resolvido em sua entrelaçada trama.
Ao ler as mais de 700 páginas, a primeira impressão é que muitos dos capítulos são despropositados. Bastante enrolação e desvios do foco principal da narrativa. Ledo engano. O escritor britânico costura muito bem os arcos de cada personagem, o que tornou uma grata surpresa perceber que o livro é muito mais complexo do que esperava.
Surpreendi-me ao constatar que Magwitch é um dos protagonistas! Vários outros personagens ganham destaque, como o advogado Jaggers, seu ajudante Wemmick, a jovem Biddy, a Mrs. Joe e o amigo Herbert.
Além de um certo desconforto com alguns trechos empolados, o único apontamento é que Dickens poderia ter feito uma crítica mais feroz para a burguesia inútil da época (ou de sempre?). Foi contida, mas a mensagem se faz presente. Ainda assim, não restam dúvidas de que "Grandes Esperanças" é um clássico. Quero mais Dickens!
MUITO BOM
16/2020
Mais de três décadas depois da publicação, "Watchmen" segue brilhante. Sua linguagem e construção de narrativa impressionam a cada página, sendo praticamente o storyboard de um longa-metragem. Aliás, Zack Snyder fez poucas mudanças ao realizar sua fiel adaptação da obra para o cinema.
Porém, nem tudo é perfeito. O ritmo da história oscila bastante, principalmente quando mescla com uma subtrama envolvendo um pirata ou diálogos entre um garoto e um jornaleiro. Mas, isso não é nada comparado aos problemas mais sérios de "Watchmen", que recaem no viés preconceituoso, tanto gordo quanto homofóbico. Mesmo que por vezes seja proferido pelo questionável Rorschach, o roteiro parece que valida esses argumentos. Outro equívoco grave é a romantização de um estupro, sendo no mínimo revoltante.
Para além dessas questões, que podem ser amenizadas pelo contexto histórico, "Watchmen" é uma obra-prima, uma vez que sua atmosfera steam punk, o teor urgente de mudança política e os dramas humanos são atemporais. Mais que uma HQ clássica sobre super-heróis, é uma reflexão sombria e melancólica sobre a humanidade.
MUITO BOM
15/2020
Sra. Collins: Você pensa que é um dia como qualquer outro, mas não percebe que qualquer coisa pode acontecer. E aí, pronto. Acontece. E tanta coisa ficou sem ser dita. E foi tudo desperdício de tempo. Só queria que alguém me ajudasse a entender. Só me ajudar... Você pode me ajudar?
Nate: A primeira frase de "A anatomia de uma dor", de C. S. Lewis, é: "Nunca me disseram que o sentimento de perda se parecia tanto com medo". Acho que esse livro vai ajudar. Tudo ficará bem.
Sra. Collins: Não, não vai.
Six Feet Under S02E06
John Boyne sabe envolver o leitor nas suas histórias. Aqui não é diferente. "A casa assombrada" é sua homenagem aos clássicos contos de fantasmas em uma mansão vitoriana. Por vezes, parece uma mistura de "O jardim secreto" com "A volta do parafuso/Os inocentes". Referências estão em todos os lugares, inclusive para o mestre Charles Dickens.
A narrativa acompanha Eliza Caine, uma jovem londrina que vai trabalhar como governanta em Gaudlin Hall, um casarão localizado no interior da Inglaterra. Ela fica responsável por duas crianças, Isabella e Eustace, mas, estranha que os pais deles não se encontram no local, nem mesmo outros criados.
Como de costume, as páginas escritas por Boyne são devoradas com muita sede. Embora seja uma leitura extremamente agradável, não há personalidade na trama ou novidades acrescidas ao gênero. O autor desenvolve com afinco personagens cativantes e uma atmosfera misteriosa, porém sua casa assombrada não se torna memorável.
BOM
14/2020