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quinta-feira, 9 de junho de 2022

Nostalgia em podcast

Estamos todos mais nostálgicos?

Aqui vai um trecho da minha participação no podcast TrocaLetras, do amigo jornalista Henrique Massaro. No episódio, aproveitamos o sucesso da quarta temporada de Stranger Things (Netflix) para comentar sobre o fenômeno da nostalgia na cultura pop, especialmente no cinema. Esse tema faz parte da minha pesquisa de doutorado em Ciências da Comunicação na Unisinos.


Parte do bate-papo está no vídeo acima, enquanto o episódio completo pode ser conferido nos mais variados tocadores de áudio, como no Spotify :)

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O labirinto de Francesco Clemente


Apresento algumas pinturas do artista italiano Francesco Clemente. São obras desenvolvidas para o filme “Grandes Esperanças (Great Expectations)”. Lançado em 1998, este drama é uma adaptação moderna do clássico romance de Charles Dickens. Clemente produziu mais de 200 trabalhos para integrar o longa-metragem. 


As obras são essenciais para a narrativa. O personagem principal, Finn, é um jovem pescador que possui dons artísticos desde criança. Com 20 e poucos anos, recebe o convite para expor em Nova York. A mostra é um sucesso e Finn vende todos os trabalhos na vernissage. A realização profissional é importante na história, pois significa a entrada do protagonista para o mundo dos ricos. Um passaporte para conseguir a garota que ama.



Os desenhos de Clemente dão vida a esse universo criativo do personagem. São tão impactantes em cena, que, na primeira vez que assisti “Grandes Esperanças”, as obras me causaram profunda estranheza. Porém, percebi que aquelas imagens ficaram na minha cabeça por muito tempo.


A cada oportunidade de rever o filme, mais fascinado fiquei com a obra do artista, a ponto de buscar seus trabalhos produzidos para além do cinema. Encontrei, então, uma coleção de inúmeros trabalhos, realizados desde a década de 1970 até hoje. O italiano pinta autorretratos, seres híbridos, figuras explicitamente sexuais, cenas religiosas ligadas ao hinduísmo e até celebridades.

Clemente vale-se de várias correntes artísticas, como renascimento, surrealismo e expressionismo. É considerado um dos principais expoentes da Transvanguarda, movimento italiano da pós-modernidade. Cunhada em 1979, a Transvanguarda libera seus artistas para transitar por qualquer época ou estilo do passado, com expressividade de cores e referências.



Desvendar as obras de Francesco Clemente não é uma tarefa fácil. Pouco se encontra de informações sobre o artista na internet. O destaque vai todo para as suas criações. A partir daí, a interpretação é livre. Figuras deformadas, grotescas, metamorfoseadas. Um universo ora onírico ora realista.



No filme, os principais personagens são representados em desenhos, tanto nos créditos iniciais quanto nos quadros da exposição do protagonista. As distorções, ao mesmo tempo que parecem se afastar da aparência dos atores, também se aproximam dos mesmos. Encontra-se a alma dos personagens naqueles traços de aquarela, grafite e giz colorido.




De onde vem essa estética? Essa força visual? Essa presença artística? Francesco Clemente oferece uma visão particular de enxergar o mundo. Carrega suas obras de emoção, de repulsa, de ternura, de crítica social e de infinitas possibilidades.



O que possuem em comum, na sua maioria, são grandes olhos. Estão ali, em cada ser representado. Olhos abissais, como dois pontos magnéticos nas imagens. Assemelham-se ao trabalho da pintora norte-americana Margaret Keane. Haveria alguma inspiração? Difícil dizer. Influências claras no trabalho de Clemente são de Andy Warhol e Basquiat, uma vez que foram amigos e vizinhos em Nova York.


Fora as referências, os olhos ainda permanecem na minha cabeça. Olhos que olham o espectador. Há uma espécie de cumplicidade com aqueles personagens. Não sorriem. Apenas miram apreensivos. Parecem estar dividindo suas angústias mais íntimas.



O artista retrata esses seres, o mundo ao redor e suas interações. Retrata o que vê, o que lhe concede sentido ao mundo. Uma realidade de várias verdades, interpretações e diversidade de expressões. É múltiplo em temas e desconstruções. Cada peça traz uma arte conceitual, desde as obras minimalistas até painéis gigantes nos quais ocorre uma explosão de elementos, cores e significados.

Sendo um artista que tanto perturba quanto hipnotiza, Francesco Clemente diz que não acredita na pureza. Acredita em contaminação, em encontros de diferentes culturas. Sua arte é, realmente, contaminada. Contaminada de tudo um pouco, menos de prisões.


domingo, 2 de agosto de 2020

A arte e o infinito



"A arte não só não nos dá poder sobre a natureza, mas a arte nos dá capacidade de entender melhor ou viver melhor sem entender a nossa condição humana, que é de desconhecimento. Nós vivemos num mundo mas não sabemos exatamente o que é a vida, mesmo porque saber é colocar em caixas, é configurar. Como é que se configura o infinito? […] 
A arte nos ajuda a ter esse equilíbrio, a potencializar a vida, para que ela possa seguir adiante. Nós temos a cultura e as festas populares, os encontros, tudo isso é fundamental para a civilização. Não é apenas a ciência, mas a arte, a filosofia e a cultura, que envolve os hábitos. O modo que uma cidade se organiza, se ela é violenta, se ela é suja, se ela respeita ou não os cidadãos, isso é um processo de cultura e de formação humana. É nisso que a gente está inserido... É como se o século 21, tudo se tornasse produto. A arte, a música… A gente vive tudo isso como se fosse brinquedos que a gente manipula. O que faltou aí? O que a gente precisa resgatar?"

Trecho da fala da filosofa Viviane Mosé no série "Manual de Sobrevivência no Mundo Contemporâneo" - 8º Episódio - Uma guerra de nós contra nós mesmos

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Maldito Cubo Mágico


Ganhei um cubo mágico esses dias. Sempre quis um. Talvez porque ele represente um constante desafio, ou porque é um objeto legal para se ter no quarto, ou então porque é um passatempo que fica à disposição ali na prateleira.

Ele pode ser utilizado em vários momentos. Tenho que esperar o download terminar? Pego o cubo mágico. Preciso de uma ideia para o último parágrafo de um texto? Pego o cubo mágico. Bateu aquele tédio? Pego o cubo mágico.

O cubo se tornou um companheiro. Mas, esse colega não tem demonstrado ser tão bacana assim. Vivemos em uma relação de amor e ódio. Ódio porque não consigo colocar uma só cor em cada uma das seis faces, ou seja, não consigo completar o quebra-cabeças. Já tentei por horas. Já pedi ajuda. Já assisti vídeos no YouTube e tentei fazer o mesmo. Não adiantou.

A partir daí, o cubo tem me atormentando. Passo por ele no quarto e digo para mim mesmo: “ainda vou conseguir colocar todas as peças no lugar”. Que raiva! O cubo é um dos brinquedos mais populares do mundo. Então, me pergunto: será que as pessoas realmente conseguem completar o enigma? Ficam neuróticas que nem eu? Desistem logo em seguida? O que elas fazem? Enquanto isso, eu sigo tentando. Quero terminar essa droga.

Mas, também, se caso um dia eu consiga completar, o cubo vai perder toda graça. Então, será que não é melhor deixar assim? Ao menos ele continuará “mágico” para mim.