Noite de festa em uma mansão no campo. A família Hardcastle organiza um baile de máscaras para homenagear o retorno da filha mais nova. Quando o relógio marca meia-noite, a protagonista do evento é assassinada. Agora, dia após dia, um homem acorda no corpo de um dos convidado da festa, revivendo os mesmos acontecimentos para tentar descobrir o culpado do crime. Com esta brilhante sinopse, "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" tinha tudo para ser um romance surpreendente que reúne os mistérios de Agatha Christie com viagem no tempo.
Comecei a leitura empolgado e logo devorei as 150 primeiras páginas. Porém, após o terceiro hospedeiro, a história torna-se repetitiva. As linhas narrativas se confundem até cansar a paciência do leitor. No comando, Stuart Turton tenta manter o envolvimento e o clima de suspense, mas sua proposta interessante perde a força ao se alongar por quase 500 páginas.
O diferencial de "As sete mortes de Evelyn Hardcastle" é, sem dúvidas, a dose de ficção científica com toques de "Black Mirror". Aliás, a inspiração foi tanta que o escritor praticamente copiou parte importante de um episódio da primeira temporada do seriado. Mesmo que faça sentido para a trama, essa escolha revela-se decepcionante enquanto conclusão de sua odisseia em espiral pelos curiosos habitantes da mansão.
"Sabe o que eu acho interessante? Se perder um cônjuge, você é chamado de viúvo ou viúva. Se for criança e perder os pais, você é um órfão. Mas, que palavra descreve o pai ou a mãe que perde um filho? Acho que é terrível demais até para se dar um nome" - Brenda
- Ninguém gosta do próprio trabalho.
- Então, por que o fazemos?
- Por que buscamos qualidade. Talvez um pouco de insegurança. Entramos nas coisas quando somos jovens, achando que elas significam algo...
- Aí descobrimos que não significam.
- Susan, desfrute do absurdo do nosso mundo. É bem menos doloroso.
Diálogo do filme "Animais noturnos" (2016), de Tom Ford
Mais que o mistério sobre um assassinato, "Defending Jacob" é uma minissérie da Apple TV+ sobre o que a suspeita de um crime pode provocar. A trama acompanha a destruição de uma família suburbana após o filho de 14 anos ser acusado de matar o colega de sala de aula. As pistas apontam Jacob como o provável culpado e, tanto a mídia quanto a opinião pública, não hesitam em condenar o garoto.
No meio do caos, os pais interpretados por Chris Evans e Michelle Dockery tentam segurar as pontas, o que não será fácil. A mãe fica completamente abalada, inclusive com dúvidas quanto a inocência do próprio filho, enquanto o pai tenta manter a ilusão de que sempre foram um família perfeita. Reviravoltas estão previstas no caminho, deixando a história ainda mais tensa e viciante.
"Defending Jacob" ou "Em defesa de Jacob" oferece uma excepcional construção de narrativa. O último episódio, no entanto, sofre de uma considerável derrapada, com três possíveis conclusões. A escolhida assemelha-se a um thriller literário genérico, diferente da seriedade que a série apresenta em seu desenrolar. Ainda assim, é uma das melhores atrações do ano, com destaque para a impecável atuação de Dockery (promete indicações) e temas urgentes em discussão.
"Todo mundo morre. Alguns vivem até os 100 anos, outros não sobrevivem ao primeiro dia. É um fato da vida. Pode esmurrar quantas pessoas quiser, mas não vai mudar o fato de que o menino está morto. E a sua chance de estar na vida dele acabou. Você usou bem esse tempo ou simplesmente desperdiçou? Sua própria vida também está contando no relógio, como a de todo mundo" - Nate
Em plena pandemia do novo
coronavírus, a TAG Inéditos enviou “Os Sonhadores”, uma obra cuja narrativa é
extremamente semelhante ao que estamos vivendo. Talvez, por este motivo, o
enfrentamento a uma doença contagiosa não soa como novidade. Os eventos que deveriam
ser surpreendentes (ou chocantes) na história tornam-se esperados, uma vez que parte deles se encontram em
curso no mundo.
Nas páginas, a doença que se espalha com rapidez é provocada pelo sono. Gradativamente, as pessoas da cidade de
Santa Lora, na Califórnia, adormecem e não acordam mais. Hospitais ficam
lotados. Criam-se leitos em ginásios e campi de universidades. Supermercados
viram campo de guerra. Por fim, isola-se a localidade com a intenção de propagar o contágio.
A leitura de "Os Sonhadores" é mantida pela curiosidade em saber de que forma a escritora Karen Thompson Walker vai dar fim à epidemia - e, consequentemente, qual é o seu real objetivo em contar essa história. Porém, o livro estende-se com personagens superficiais que não geram
empatia e não contribuem à trama. Nem ao menos estão conectados entre si, apenas moram na
mesma cidade.
A tão esperada resolução da autora para a tal "doença do sono" é simplista. Walker até tenta, nas últimas páginas, filosofar
sobre a trajetória da vida – real ou sonhada -, mas tais pensamentos chegam
tarde demais e geram apenas frustração.
A relação conflituosa entre duas divas da época de ouro de Hollywood é o cerne da série "Feud", criação de Ryan Murphy exibida pelo FX em 2017. A atração televisiva não obteve o reconhecimento que merecia. Talvez as histórias envolvendo Bette Davis e Joan Crawford não sejam tão atrativas para novas gerações. De qualquer forma, quem deixou de assistir "Feud" perdeu uma das melhores séries dos últimos anos.
Não é necessário ser fã das atrizes para saborear a trama inspirada em (inacreditáveis) fatos reais. O recomendado é que se assista, previamente, o longa-metragem "O que terá acontecido a Baby Jane?" (1962), produção que colocou as duas inimigas lado a lado na telona. A série acompanha. em seus primeiros episódios, os bastidores das gravações do filme.
A primeira vista, explorar a rivalidade feminina pode soar de mau gosto. As mulheres são mais fortes juntas e devem se unir contra qualquer opressão, não é mesmo? A trama sabe disso e apresenta os motivos que separaram duas figuras que poderiam ter sido grandes amigas. É uma história antiga que segue bastante atual.
Entre doses cômicas e melancólicas, "Feud" aborda o papel da mulher no cinema, suas chances de sucesso, os usos e abusos gerados pela indústria e pela mídia. Também avança por temas como a dificuldade em envelhecer e o que deixar enquanto legado. Todas essas facetas são potencializadas por protagonistas à altura de suas homenageadas: Susan Sarandon (fenomenal) e Jessica Lange.
"Durante toda a nossa vida
enfrentamos decisões penosas
escolhas morais
Algumas delas têm grande peso
a maioria não tem tanto valor assim
Mas definimos a nós mesmos
pelas escolhas que fizemos
Na verdade, somos feitos da
soma total das nossas escolhas
Tudo se dá de maneira
tão imprevisível
tão injusta
que a felicidade humana
não parece ter sido incluída
no projeto de Criação
Somos nós,
com nossa capacidade de amar
que atribuímos um sentido
a um Universo indiferente
Assim mesmo, a maioria dos seres humanos
parece ter a habilidade
de continuar lutando
e até de encontrar prazer
nas coisas simples
como sua família,
seu trabalho,
e na esperança que
as futuras gerações
alcancem uma
compreensão maior"
Trecho do filme "Crimes e pecados" (1989), de Woody Allen
Brenda e Nate conversam em frente à igreja:
- Você não acredita em Deus, né? - Acho que tudo é totalmente aleatório. A gente vive, morre e, por fim, nada significa coisa nenhuma.
- Como consegue viver assim?
- Não sei. As vezes, acordo tão vazia que desejo nunca ter nascido. Mas, que escolha eu tenho?
Vendido como "filosofia no divã", misturada com episódios reais e linguagem acessível, o bestseller "Quando Nietzsche chorou" não corresponde a nenhuma dessas expectativas. A narrativa é enfadonha, o vocabulário limitado e a romantização dos fatos, por vezes, vergonhosa. A maior parte da história diz respeito a obsessão do médico Breuner por sua paciente Bertha, que sofre de esquizofrenia. Problemático é o mínimo.
A experiência com o livro, no geral, apresentou-se cansativa. Inclusive, pensei em desistir da obra. Larguei de mão por mais de dois meses e, como faltavam 120 páginas, decidi encarar e concluir. Surpreendentemente, a reta final é o seu ponto alto. Cheguei a fazer várias marcações de trechos interessantes sobre o sentido da vida, valendo-se de questionamentos propostos por Nietzsche. Eis que eles finalmente aparecem na leitura!
Porém, o autor Irvin D. Yalom utiliza de um artifício barato para encerrar a trama de Breuner. Um clichê tão ridículo que deixa o gosto amargo da artificialidade. Pois então, era esse o sabor desde o início, não é mesmo? Em resumo, o intuito de saber mais sobre o filósofo que dá nome à obra, aqui, tornou-se em vão.
David e Keith são chamados de "bichas" no estacionamento do supermercado. Após Keith dar uma dura no preconceituoso, David diz:
- Acho que ele não falou por mal.
- Você se odeia tanto assim? - responde Keith
"Grandes esperanças" é um dos filmes da minha vida. Sei que não é
perfeito, mas cada vez que assisto tenho o mesmo impacto com a cena da fonte, o
casarão em ruínas, as danças, as perucas e e a piteira de Mrs. Dinsmoor, os
tons de verde explodindo pela tela, as belas artes de Francisco Clemente, a
potente trilha sonora e o romance entre Finn e Estella ao longo de décadas.Este foi o meu primeiro contato
com a obra de Charles Dickens, por isso não me importei com a modernização do
clássico. Recentemente (e muito pelo filme), li o "Grandes
Esperanças" original e percebi as inúmeras mudanças. Digo que o filme de
Alfonso Cuarón é uma brincadeira estilosa sobre uma obra literária bem mais
complexa. Poderia ter outro título, talvez "Paradiso Perduto", como
foi chamado em Portugal, e citar nos créditos iniciais sua inspiração em
"Grandes Esperanças". Assim, iria diminuir a pressão de tantas
comparações e satisfazer mais o público? Não iremos saber... De qualquer forma, a produção
cinematográfica realizou um ótimo trabalho em reunir elementos essenciais da
trama de 1861, tendo seu foco nos capítulos em que o romance se faz presente no
livro. O trio formado por Finn/Pip (e sua obsessão por merecer o amor da mulher
que está apaixonado), Estella (e a frieza com que foi criada) e Mrs.
Dinsmoor/Havisham (e seu plano maquiavélico de obter vingança por seu passado)
conduzem a narrativa. É um tanto apressado, porém transmite de modo
eficaz a mensagem sobre culpa, desejo e redenção. "Grandes Esperanças"
segue, para mim, um puro deleite cinematográfico. É uma adaptação extremamente
imagética, ou seja, feita por uma sucessão de visuais impactantes. E eis que a
minha favorita cena não comentei no início: é quando Finn deixa sua vernissage,
corre pelas ruas movimentadas de Nova York e entra no restaurante para pedir
uma dança com Estella. Uma dança que ocorre não mais no velho casarão. E, logo
após trocar dois passos embalados, ele pega a mão de sua amada e os dois saem
juntos do restaurante, beijando-se na chuva.
Enviado pela TAG Inéditos, "Herdeiras do mar" é um relato muito sofrido sobre duas irmãs sul-coreanas durante a Segunda Guerra Mundial. Tive um maior impacto com a obra, pois li 90% do tempo acreditando que era uma história verídica. Entretanto, não é totalmente ficcional. A escritora Mary Lynn Bracht baseou-se em depoimentos de mulheres daquele período para desenvolver as protagonistas.
A trama acompanha a separação das irmãs Hanna e Emi, que moravam com os pais na ilha de Jeju e estavam predestinadas a serem "haenyeo", uma profissão feminina e típica do local. Consiste em mergulhar até as profundezas, sem a utilização de equipamentos, para coletar frutos do mar. Tarefa perigosa, mas que garante o sustento e a independência das mulheres.
Tudo muda quando Hanna é sequestrada pelo Exército Japonês e enviada para o território da Manchúria, onde é obrigada a se tornar uma "mulher de consolo", ou seja, responsável por satisfazer sexualmente os inúmeros soldados que vão para o campo de batalha. Enquanto isso, Emi permanece na ilha que lhe reservará um destino igualmente sofrido, revelado apenas na reta final da narrativa.
Apesar de lento no início, "Herdeiras do mar" engrena do meio para o fim e torna-se eletrizante nas derradeiras páginas. Uma leitura interessante para conhecer outras culturas e saber mais sobre um capítulo praticamente apagado da História da humanidade: a violência sofrida pelas mulheres durante as guerras.
Todo ano eu espero ter lido mais do que o saldo final.
2019 apresentou uma melhora, com 12 títulos devorados, inclusive "Nix" e "A catedral do mar", obras extensas, com cerca de 700 páginas cada. O ano ainda reservou meu encontro com a norte-americana Celeste Ng, cujas duas obras lançadas até o momento fizeram com que a colocasse entre minhas escritoras favoritas.
Nesse bom ritmo, 2020 começou com a minha assinatura da TAG Inéditos. E os primeiros títulos já são um reflexo desse investimento. Três meses e cinco livros concluídos, além da pequena joia que abriu o ano, "As mais belas coisas do mundo", do português Valter Hugo Mãe.
O destaque vai para "Os sete maridos de Evelyn Hugo", que me foi enviado pelo clube por engano e revelou-se uma das melhores experiências literárias recentes. A história acompanha uma atriz que ascende ao estrelato durante a época de ouro de Hollywood, porém precisa esconder um grande amor ao longo dos anos. A escritora Taylor Jenkins Reed é mestre em envolver o leitor, tanto que procurei outros de seus títulos, entre eles "Daisy Jones & The Six".
Também merece destaque "Nascido do crime", uma autobiografia do comediante Trevor Noah. Seus relatos durante a infância no período do apartheid são inacreditáveis. Leitura obrigatória para entender um dos piores regimes de segregação da humanidade. E, claro, há uma mistura de drama e humor.
Já "Uma escada para o céu" me fez redescobrir o irlandês John Boyne, o qual havia lido apenas o bestseller "O menino do pijama listrado". Sua escrita é madura e engenhosa. A trama aqui é praticamente uma releitura de "O talentoso Ripley". Infelizmente, descamba para alguns clichês do gênero em seu último ato, mas todo caminho até lá é delicioso.
"Escola de contos eróticos para viúvas" é praticamente um "feel good book". Uma jovem oferece aulas de alfabetização em inglês para senhoras indianas, porém acaba as instruindo para colocar no papel suas fantasias sexuais. A temática de repressão feminina, porém, acaba ofuscada por subtramas que não mereciam tanto destaque. O livro não coloca o dedo na ferida, mas é agradável.
Para encerrar essa primeira leva de leituras, "Um casamento americano" aborda a relação entre o casal afrodescendente Celesial e Roy, que é separado após ele ser preso injustamente. Preconceito e recomeço deveriam ser as tônicas do projeto, mas a autora opta por conferir maior dramaticidade ao formar um (despropositado) triângulo amoroso com o amigo de infância de Celestial. Perde a força do meio para o fim e deixa um gosto de decepção.
A seguir, cada obra lida em 2020 ganhará uma publicação específica e com mais detalhes.
"Como aquilo começou? Como tudo sempre começa: com mães e pais. Por causa da mãe e do pai de Lydia, por causa das mães e dos pais de sua mãe e de seu pai. (...) Porque sua mãe queria, acima de tudo, se destacar; porque seu pai queria, acima de tudo, se integrar. Porque as duas coisas eram impossíveis."
Trecho do livro "Tudo o que nunca contei", de Celeste NG
When you are younger, you'll wish your older
Then when you're older, you'll wish for time to turn around
Don't let your wonder turn into closure
When you get older, when you get older
Oh, time, suddenly we got no time
We're so busy doing life
.
.
.
That I miss your eyes on mine, mine
If you just focus on me
Like we were sixteen
And planning our lives
(When we were planning our lives)
Depois de devorar os nove episódios de "American Crime Story: Versace", deixo aqui o comentário de um usuário do site Banco de Séries que resumiu a temporada:
"No final, a série não era sobre Versace, nem sobre o Cunanan, eu diria. A série foi sobre a situação do homem gay nos anos 90. A epidemia de AIDS, os gigolôs, os enrustidos, a invisibilidade, o preconceito da policia, da marinha, da família, mas, acima de tudo, foi sobre exatamente o nome desse último episodio, "Alone", a solidão do homem gay, principalmente os mais velhos, a solidão em diversos sentidos" (Thiago Sete).
"Sei que tudo isso
não passará de histórias um dia
e nossas imagens
se tornarão fotografias antigas.
Todos nós
nos tornaremos pais de alguém.
Mas, agora,
estes momentos não são histórias.
Isto está acontecendo.
Estou aqui.
Consigo enxergar.
Por um momento único,
você sabe que não é uma história triste.
Você está vivo
Você se levanta
e vê as luzes nos prédios.
Está ouvindo aquela música,
naquele passeio,
com as pessoas que você mais ama neste mundo.
E, neste momento, eu juro...
SOMOS INFINITOS"
Trecho do filme "As Vantagens de Ser Invisível" (2012)
"As pessoas afetivamente mais infelizes que conheço são as que mais gostam de música pop, e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo suas vidas infelizes"
"Quando temos aqueles raros momentos de clareza, aqueles instantes em que o universo faz sentido, tentamos desesperadamente nos agarrar a eles. Eles são como botes salva-vidas para os tempos mais sombrios, quando o sentido de tudo isso, a natureza incompreensível da vida,
nos escapa totalmente. Então a questão volta a ser, ou deveria ter sido sempre: o que você faria se soubesse que tem apenas mais um dia, uma semana ou um mês de vida? A que bote salva-vidas se agarraria? Qual segredo contaria? Que banda iria assistir ao show? Para qual pessoa declararia o seu amor? Qual desejo realizaria? Para qual exótico local viajaria só para tomar um café? Qual livro escreveria?"
Nova série da HBO, "Enlightened", teve sua primeira temporada, com dez episódios de meia hora cada, lançada no ano passado. Por ser rapidinha, já é um motivo para assistir. Mas, mais que isso, o tv show merece entrar na sua watchlist pela performance da atriz Laura Dern, que interpreta com verve uma mulher de 40 anos que surta após o término de um relacionamento e vai para um spa terapêutico. Ela retorna com ideias altruístas de mudar o mundo, mas só quebra a cara. O seriado em si não lá grandes coisas, mas Laura carrega os episódios nas costas, com uma atuação irretocável. Irritante quando precisa e carismática nos momentos mais delicados. Sua interpretação garantiu a renovação para uma segunda temporada, após vencer o Globo de Ouro por Melhor Atriz (comédia).
Além de Laura, "Enlightened" às vezes surpreende com pequenas pérolas em seu roteiro. Pensamentos sobre amores, escolhas, superação e o significado da felicidade. Abaixo, coloco algumas dessas frases retiradas da série que valem uma reflexão:
Trecho 1 Mas você não consegue Aconteceu O bebê morreu O cachorro também Um coração foi partido Te conheci quando você era jovem Sei que seu coração foi partido também Continuarei te conhecendo quando nós dois estivermos velhos E, quem sabe, mais sábios Espero que sejamos sábios Te conheço agora Sua história A minha não é bem o que eu gostaria Mas eu aceito É a minha história Só minha E ainda não acabou Ainda resta tempo Ainda resta Muito tempo.
Trecho 2: Meu marido Minha decepção amorosa Minha dor Parece tão calmo agora Aqui... Não é mais o traidor e mentiroso Não sou mais a histérica e ranzinza Não estamos velhos Ou jovens Não há amargura ou ilusões E não há necessidade de medo ou esperança Somos apenas espíritos vagano juntos por este planeta perfeito Podemos nos libertar de nossas tristes histórias Elas flutuam até que sejam lembrança de um sonho recente Sombras embaixo d´água
Trecho 3 - Parte I As vezes, tarde da noite com medo e vergonha, deito na cama e penso na vida de outra pessoa Imagino o amor que recebe E o alívio que vem de ser realmente conhecido Os prazeres secretos que partilham Os amigos que têm e as pressões que não tem A sensação de importância As satisfações no trabalho Imagino como são realizados Como a vida deles é valiosa E nestes momentos Me sinto vazia e desprovida. Trecho 3 - Parte II Vejo a paixão que está faltando Os amigos que não conhecem E a terrível pressão que os esmaga Nesses momentos percebo o quanto tenho E quanto tenho para dar.
"Pode tentar fugir da história da sua vida Meu primeiro amor Imagino o amor que não têm
Principalmente quando se sente com 21 anos por dentro
Todas as forças que te sustentam durante a vida
simplesmente definham uma a uma
Você observa seu rosto no espelho
e percebe que falta algo
E descobre que é o seu futuro".
Trecho do filme "Setembro (1987)", de Woody Allen.
Minha média de 15 a 20 livros por ano despencou em 2010 para apenas oito. Apesar de ter diminuído o folhar das páginas, segui adquirindo novos exemplares para leitura. Dessa forma, tenho uma surtida biblioteca pronta para ser devorada em 2011. E esta é uma das minhas resoluções para este novo ano: ler mais.
Aqui vão os títulos que concluí no ano que passou:
Com a produção fonográfica cada vez mais difundida através dos meios de comunicação, o consumidor de música passou a ter fácil acesso a uma série de projetos, principalmente, através da internet. Entre os downloads dos últimos meses, o CultPopMax destacou sete canções irresistíveis que até chegaram a fazer um alarde, mas talvez não tenham vindo a ser escutadas por você. Ainda assim, cuidado, todas apresentam potencial para ficar na sua cabeça por horas, e por conseqüência, render ótimos momentos tanto na balada, numa tarde com os amigos ou em um encontro romântico. Descubra-as e bom proveito.
-->She & Him – "Ridin´ My Car"
Não há dúvidas de que Zooey Deschanel (“500 Dias com Ela”) manda bem no cinema e na música. A banda She & Him, composta por ela em parceria com o produtor M. Ward, é uma das melhores revelações da atualidade e confirmou este posto com o amadurecimento apresentado em seu segundo álbum. A canção escolhida entre as 13 faixas é “Ridin´ My Car”, uma clara homenagem aos Beatles, que surge com um suingue característico do “fab four” misturado com o estilo nostálgico/folk/indie do She & Him. O dueto entre Deschanel e Ward empolga e nos leva ao passado com muito bom gosto.
Keane – "Stop For a Minute"
Apesar de “Night Train” não ter sido o disco completamente diferente que o vocalista Tom Chaplin anunciou, pelo menos rendeu uma excelente canção, “Stop For a Minute”, balada dançante com direito a uma parceria inusitada (e bem-vinda) com o rapper K´Naan. Os ingleses do Keane já haviam atingido o ápice no magnífico disco “Perfect Symmetry" - não há toa esse título - lançado em 2008. Agora, eles embarcaram em uma atmosfera mais pop, porém sem deixar de fora as baladas melancólicas.
Mika – "Kick Ass"
Criada especialmente para o filme “Kick Ass – Quebrando Tudo”, a música aborda com propriedade a história do projeto (grupo de adolescentes perdedores que decide ser tornar super-heróis) e deixa explícito em seus versos que somos todos jovens e com sangue em nas nossas mãos: a mudança vem quando quereremos mudar o mundo. O hino dos losers é eletrizante bem como o trabalho do fantástico intérprete, que dá ainda maior veracidade para a temática no videoclipe da produção.
Scissor Sisters – "Invisible Light" & "Fire With Fire"
Recentemente lançado, “Night Work” é o prometido álbum do Scissor Sisters após um hiato de quatro anos. A caprichada produção emplaca de imediato duas músicas para entrar na história do grupo: “Fire With Fire” e “Invisible Light”. A primeira é um verdadeiro hit com refrão delicioso e ritmo para deixar de lado qualquer pensamento ruim. Enquanto isso, “Invisible Light” destoa como a faixa mais diferente do cd, porém sua estrutura com batidas eletrônicas e refrão grudento produz efeito mesmo sem a profusão das luzes de boate. O resultando em ambas é bombante por natureza.
Pete Yorn & Scarlett Johansson - "I Don´t Know What To Do"
Com forte inspiração no trabalho produzido por Serge Gainsburg e Briggite Bardot na década de 60, o cantor americano Pete Yorn se uniu a atriz Scarlett Johansson para formar uma parceria semelhante, que rendeu um disco leve, despretensioso e com jeito de LP antigo. Entre as canções, o hit “Relator” destacou-se pelo estilo Beatles, mas quem recebe o título da melhor é “I Don´t Know What To Do”, principalmente, pela composição pop embalada por um dueto em perfeita sintonia. Apesar do conjunto das faixas contar uma história de separação conjugal, o disco resgata um período mais ingênuo e tranquilo, que faz muito bem para os ouvidos.
Vampire Weekend – "Give Up the Gun"
Entre as músicas tão distintas do segundo disco da banda, “Give Up the Gun” se destacou após o lançamento do videoclipe recheado de personalidades, como Jake Gyllenhaal, Jonas Brothers e Lil' Jon. O pop colegial da canção diverte com o instrumental repetitivo e a voz melosa do vocalista Ezra Koenig. O restante do álbum também merece uma audição, com destaque para “Horchata”, que lembra um hino africano, e “Cousins”, que se tornou mais conhecida pelo vídeo da campanha “Life in a Day” do Google.
- Obrigado.
- Por que?
- Obrigado por lembrar que eu não sou especial. Você nem sequer vê o que você faz, não é? Mesmo os momentos que eu penso serem nossos, é apenas você trabalhando para conseguir o que você quer.
Oh nós sabemos Este é o seu show. Então pegue tudo.
- O que você falando? O teste de tela? Você tem que entender. Isso não é nada. É o que eu faço. Eu dirijo. É o meu trabalho.
- E esta é a nossa vida. Você acha que criar é perdoar a si próprio em público. Ótimo. Mas acho que não posso perdoá-lo particularmente, por que não posso. Sempre.
Então vá em frente. Pegue tudo. Você quer minha alma? Pegue tudo. É hora de sair, Se eu estou a viver. Porque eu não tenho mais, Não há mais nada para dar. Eu vejo você subir, Eu vejo você cair. Enquanto estou em pé Com as minhas costas contra a parede. Agora é sua vez de finalmente aprender. Você teve o mundo. Você teve o impulso. Você queria mais do que tudo. Você recebeu seu desejo. Você recebeu seu prêmio. Agora recebe isto bem entre suas coxas. Você agarrou tudo, meu amigo Mas você não vê que no final Não haverá nada.
- Você é apenas um aperitivo. E se você deixasse de ser ganancioso você morreria. Você leva tudo. E eu estou vazia... Você sabe, estou feliz por ter vindo. Agora posso ver, não há esperança.
- Estou morrendo.
- Como assim?
- Estou morrendo.
- Devo chamar uma ambulância?
- Não. Agora não. Não essa noite! Mas me refiro a um dia.
- Boris, todos morrem.
- Isso é inaceitável.
- Seus ataques de pânico estão cada vez mais freqüentes e intensos. Precisa voltar a tomar seus remédios.
- Eu não vou voltar a tomar essa droga de remédio. Não quero ficar com minha cabeça entupida de produtos químicos quando sou o único que vê o cenário completo exatamente como é. Cadê a droga da vodka?
- Boris, eu tenho clientes amanhã pela manhã. São quatro da manhã.
- Clientes. Certo. Banqueiros ricos para projetar apartamentos chiques e enchê-los de arte e bens caros para que possam ostentar o dinheiro deles e estarem no topo dos 1% dessa vergonhosa, violenta, preconceituosa, analfabeta, sexualmente reprimida e injusta nação.
- Deus, são quatro da manhã. Pode me poupar dessa fala de colegial?
- Sou um cara com uma enorme visão do mundo. Estou cercado por micróbios!
- E eu? Sou um micróbio? Seu filho que estuda em Yale é um também?
- Vamos encarar os fatos, certo, Jéssica? Nosso casamento não tem sido um jardim de rosas. Botanicamente falando, seu perfil é o de uma planta carnívora.
- Você é um homem difícil de conviver.
- Foi por isso que teve um caso?
- Não tive um caso. Foi um breve interlúdio de infidelidade e aconteceu há anos. Ainda não consegue esquecer isso!
- Vejo tudo tão claro agora. Tudo! Casei com você pelas razões erradas.
- O que quer dizer com isso?
- Você é brilhante. Eu queria alguém para conversar. Você ama música clássica. Você ama arte. Você ama literatura. Você amava sexo. Você me amava!
- Essas me parecem ser boas razões!
- Sim! Exatamente! Esse é o problema! É esse o problema! Foi racional, isso faz sentido.
- Não sei o que deu errado. Quando se examina de perto, há muito em comum entre nós.
- Na teoria, somos perfeitos. Mas a vida não é só teoria.
Viciado em cultura pop, cresceu assistindo filmes e imaginando estar em uma produção de Woody Allen. É admirador de pop arte, de um bom drink e dos livros de Nick Hornby. Não consegue montar um cubo mágico sem ficar frustrado e com vontade de jogá-lo longe. Tem o sonho de morar em Paris no apartamento dos “Sonhadores” e entregar-se ao prazer hedonista. Gosta de dirigir curtas-metragens e brincar com a câmera. Não aprende que deve parar de assistir tantos seriados ao mesmo tempo. Ama o cinema de Tarantino, Wes Anderson e Tim Burton. Precisa viver com trilha sonora, por isso, não dispensa as músicas de The Killers, She & Him e Mika. É jornalista, crítico, cinéfilo e twitta no @maxcirne.